ATO INSEGURO OU CONDIÇÕES INSEGURAS?

Quarta, 22 Abril 2015 17:53
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Uma pesquisa sobre o impacto do cansaço dos pilotos naaviação civilbrasileira mostrou que, a cada 146 horas de voo, um piloto comete um erro. Comandado pelo comandante Paulo Licati, da Associação Brasileira de Pilotos da Aviação Civil, o estudo analisou 155 326 horas de voo (seis meses) de uma grande companhia aérea no Brasil em 2012. Neste período, foram registrados 1 065 erros por parte dos pilotos. Do total, 50% dos erros ocorreram entre 0h e 6h, quando o corpo humano tem seu estado de alerta reduzido.O trabalho mostra ainda que um piloto acordado há 18 horas equivale a uma pessoa que tenha ingerido 1,2 litro de cerveja.


 

ATO INSEGURO OU CONDIÇÕES INSEGURAS?

A notícia abaixo, publicada na Veja nesta quarta (21/04/15, Seção Radar, de Lauro Jardim), reaviva a discussão sobre o fator humano e as condições de trabalho relacionadas ao tipo de jornada para desencadear doenças e acidentes.

 

 

A CADA 146 HORAS DE UM AVIÃO NO AR NO BRASIL,
CANSAÇO DE PILOTOS INTERFERE NA SEGURANÇA DO VÔO.

Uma pesquisa sobre o impacto do cansaço dos pilotos na aviação civil brasileira mostrou que, a cada 146 horas de voo, um piloto comete um erro. Comandado pelo comandante Paulo Licati, da Associação Brasileira de Pilotos da Aviação Civil, o estudo analisou 155 326 horas de voo (seis meses) de uma grande companhia aérea no Brasil em 2012.


Neste período, foram registrados 1 065 erros por parte dos pilotos. Do total, 50% dos erros ocorreram entre 0h e 6h, quando o corpo humano tem seu estado de alerta reduzido.O trabalho mostra ainda que um piloto acordado há 18 horas equivale a uma pessoa que tenha ingerido 1,2 litro de cerveja.

Em terra, a situação é ainda mais grave, visto que os trabalhadores rodoviários são os que mais morrem no país. Os riscos incluem as péssimas condições de tráfego, dos veículos e da sinalização das rodovias ao lado do excesso de jornada dos trabalhadores e do uso de drogas para prolongar o estado de alerta nessas jornadas (uma pesquisa detectou que 51% dos trabalhadores rodoviários utilizavam cocaína). O trabalho rodoviário resulta ainda em riscos ao meio ambiente pelo transporte de substâncias perigosas.O NRFACIL já publicou vários posts e artigos sobre o assunto. Abaixo, alguns destaques.

FATORES DE RISCO PARA MULHERES

Um estudo da OMS realizado com aeromoças e enfermeiras mostrou que as profissionais que trabalhavam no turno da noite tinham maiores chances de desenvolver o câncer de mama. Também foram constatadas alterações nos ritmos cardíacos e propensão a queda nas defesas imunológicas destes trabalhadores.

Ou seja, os pilotos e aeromoças, como grande parte de trabalhadores, estão submetidos a regimes de turnos alternantes.Esta rotina integra igualmente o trabalho de outros profissionais como médicos plantonistas, enfermeiros e vigilantes, entre tantos outros, alem de atividades em alguns segmentos do setor de serviços, como por exemplo ferrovias, correios, aeroportos, polícia, hospitais, segurança, marinha mercante, etc.


OS RISCOS EXTRA OCUPACIONAIS

Segundo estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS), atualmente cerca de 20% das populações dos países desenvolvidos trabalham no período da noite. Nos Estados Unidos, cerca de 25% dos trabalhadores trabalham em turnos alternantes. Esses profissionais perdem cinco anos de vida para cada quinze anos trabalhados, se divorciam três vezes mais do que os profissionais com jornadas durante o dia e têm 40% mais chances de apresentar problemas cardiovasculares, neuropsicológicos e digestivos. ISMA (International Management Stress Association), realizou um estudo no Brasil no qual constatou que 40% dos trabalhadores que exercem sua atividade no turno da noite desenvolvem algum distúrbio na visão. 


AÇÕES DO SESMT

O SESMT pode contribuir de forma significativa para minimizar o problema, estudando a introdução de algumas práticas: o Médico do Trabalho utilizará testes psicométricos e exames de laboratório mais específicos, como, por exemplo, o PCR, que tem sido utilizado na predição de risco cardiovascular, que sem dúvida aumentará na presença de trabalho sob turnos alternantes. Candidatos com antecedentes familiares de depressão, psicoses e usos de medicamentos psicotrópicos devem ser avaliados com cautela. O EEG deveria ser um exame muito mais PERIÓDICO do que ADMISSIONAL, ou seja, ser realizado após um período de trabalho em turnos alternantes. Assim, o indivíduo pode apresentar alterações no EEG por privação de sono indicando assim mecanismos insatisfatórios de repouso e recuperação da fadiga. Isto pode predispor a crises convulsivas no próprio ambiente de trabalho, causando acidentes de prejuízo incalculável. O Engenheiro e o Técnico de segurança podem desenvolver monitoramento e registro de incidentes de trabalho em setores relacionados a turnos alternantes encaminhando para a realização de avaliações de saúde mais frequentes nesses trabalhadores e não apenas para as situações de riscos insalubres (avaliação semestral) como determina a NR-7.


ENFERMAGEM E
ASSISTENTE SOCIAL DO TRABALHO
 

A Assistente Social e a Enfermagem do Trabalho podem avaliar situações sócio-familiares de risco e orientar no sentido de serem adotadas medidas para que o trabalhador possa dormir de maneira confortável durante o dia.

Verificar, tambem, a situação familiar, solteiro ou não, presença de um ou vários filhos, visto que constituem fatores normalmente agravantes dos problemas do trabalhador noturno. 

 

MULHERES MAIS VULNERÁVEIS

As mulheres casadas e tendo normalmente um filho, dormem ao dia em torno de uma hora e meia a menos que as solteiras. O débito é ainda mais marcante quando se trata de mães com crianças em fase de amamentação. Por outro lado, a desproporção das divisões das tarefas do lar entre casais contribui igualmente para aumentar os problemas dos horários do trabalho noturno feminino e a carga global de trabalho suportada. Esses diversos elementos da situação fora do trabalho devem ser levados em consideração no momento da organização do horário e da prescrição das tarefas no trabalho noturno. Finalmente, pode ser adotada a prescrição de períodos mais longos em um único turno, tornando a alternância dos turnos mais espaçada.


MATURIDADE E ENVELHECIMENTO

Devem, também, ser considerados fatores em relação à idade do trabalhador noturno. O envelhecimento modificaa sensibilidade às rotações de turno de maneira geral e em particular ao trabalho noturno não rodiziante.

Pilotos experientes tem mais idade e assim, ao mesmo tempo que agregam elementos positivos de sua maturidade e experiência, trazem os riscos dos fatores degenerativos que se iniciam a partir dos 50 anos.

Os turnos alternantes tornam tambem maiores os riscos de pacientes suscetíveis de desenvolverem surtos psicóticos gerando incapacidade laboral mais longa após o surto.

O acidente aéreo provocado intencionalmente por um piloto na Europa em 2015 continua reavivando lições para os profissionais da área de segurança e saúde no trabalho.


  

Lido 15053 vezes Última modificação em Quarta, 27 Abril 2016 20:52

2 comentários

  • Link do comentário Leandrinho Quinta, 23 Abril 2015 20:19 postado por Leandrinho

    gostaria de ler um artigo com instruções de como não cometer o ato inseguro para pessoal do SESMT

  • Link do comentário everson Quinta, 23 Abril 2015 14:03 postado por everson

    Atos e condições inseguras podem estar em vários lugares. Pode ser sem você perceber ou por existir a muito tempo, aquilo que era errado se torna normal e não passa mais a ser perceptível.

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