NR-9 (PPRA) ACREDITE NO IMPOSSIVEL

Domingo, 12 Junho 2016 17:05
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Apollo 13 foi a sétima missão tripulada do Projeto Apollo e a terceira com intenção de pousar na Lua, mas não cumpriu a missão devido a um acidente durante a viagem de ida, causado por uma explosão em um dos módulos do foguete. A nave e seus tripulantes, entretanto, conseguiram a missão impossível, de retornar à Terra, após seis dias no espaço. Este artigo, publicado no site OHS on line, mostra que missões impossíveis em segurança podem acontecer desde que se acredite nelas.


 

 

Trinta horas e 40 minutos após o lançamento da missão Apollo 13 à Lua (1970), um grande estrondo foi ouvido. A ruptura de um tanque de oxigênio levaria a NASA a abortar o pouso na Lua e redirecionar todos os seus recursos para trazer os astronautas para casa com segurança. Embora a NASA tivesse planejado com previsão para muitos riscos potenciais, o prognóstico geral de um problema em vôo como este não foi positiva. No entanto, diante do complexo problema, as equipes de engenheiros, os controladores de vôo, e os astronautas trabalharam para garantir que eles poderiam voltar para casa em segurança.

Imediatamente após a explosão um dos elementos críticos identificados estava relacionado a níveis elevados de CO2 (gás carbônico) na cabine.

O módulo lunar (a cápsula que iria aterrisar quando estivessem em órbita lunar) tinha dois filtros redondos concebidos para remover o CO2 do compartimento apenas para dois indivíduos durante dois dias.

Infelizmente, seria nesta cabine agora que teriam de ficar abrigados todos os três astronautas e precisava de ser capaz de remover CO2 para um total de quatro dias. Havia um tipo similar de mecanismo de filtração no módulo de comando, mas os  filtros eram quadrados, em oposição a redonda existente no módulo lunar.

Como os níveis de CO2 aumentaram a níveis perigosos, haveria um tempo limitado para encontrar um jeito de encaixar um pino quadrado em um buraco redondo.

A situação era tensa. Engenheiros em terra foram convocados a realizar o impossível verificando o que poderia ser reaproveitado em trajes espaciais a bordo - mangueiras, peças de plástico, fita adesiva - e eles tiveram que projetar e comunicar a solução antes de a tripulação começar a sofrer os efeitos do ar insuficiente.

O talento desses engenheiros, e os desafios subsequentes que eles conseguiram vencer, mostra-nos algo particularmente comovente sobre a Unidade para a Segurança e o compromisso de trazer todos para casa em segurança. A suposição após a explosão foi que a equipe provavelmente não viveria. A atitude dos indivíduos, suas ações e sua crença contou outra história. Falhar não era uma opção, todos poderiam ser salvos.

Nota da Tradução: Só após dois meses de investigações a NASA ficou satisfeita com as conclusões sobre a causa do acidente. O resultado delas mostrou que o problema ocorrido foi uma mudança de voltagem dos suprimentos de energia da Apollo, feito pelos desenhistas do reservatório da nave, sem o respectivo reforço da ventoinha de resfriamento do motor. Esta mudança causou uma elevação de temperatura dentro do tanque de oxigênio do Módulo de Serviço, sem que a ventoinha conseguisse controlá-la, elevando-a a mais de 500°C, quando ele tinha sido construído para operar com segurança a 25º, e um limite tolerável de 60º (Wikipedia).

TODAS AS LESÕES PODEM SER PREVENIDAS 

Um princípio fundamental de organizações que têm programas de segurança fortes e alto desempenho é uma crença subjacente de que todas as lesões são evitáveis. Desde 1999, a Pesquisa de Percepção de Segurança (da DuPont) tem ajudado as organizações a avaliar as percepções de seus programas de segurança por parte dos empregados e identificar comportamentos, atitudes e outros fatores que podem inviabilizar um programa de segurança. Uma extensa base de dados de dois milhões de respostas, através de uma variedade de indústrias, tem sido desenvolvida. Entre as empresas que participaram da pesquisa Percepção de Segurança Dupont verificou-se que 94 por cento dos seus empregados acreditavam que todas as lesões eram evitáveis, incluindo freqüência de acidentes, dias parados e fatalidades. 

Isso difere de forma marcante com as respostas fornecidas pelo restante da amostra da pesquisa: na mediana, apenas 36% dos entrevistados acreditam que todas as lesões são evitáveis. 

Assim, a grande maioria dessas organizações, ou não conseguem incorporar essa messagem e esse processo nos seus programas de segurança, ou, a cultura de segurança não dá apoio ao discurso dos profissionais de segurança e saúde. 

De qualquer forma, para grandes populações da maioria das organizações, persiste aquele mantra não escrito "acidentes acontecem".

OS ARGUMENTOS CONTRA

Muitas vezes, é preciso reagir contra declarações absolutas como que todas as lesões podem ser evitadas. O argumento muitas vezes move-se imediatamente a extremos - "Como posso impedir de alguém colidir com o meu veículo?" Ou "como você espera de nós para evitar terremotos e furacões?", por exemplo.

Os argumentos continuam com esse mesmo diapasão,  sugerindo que a degradação natural em materiais que resulta em uma falha de equipamento de proteção pessoal ou falha mecânica, acabariam em lesões que não podem ser impedidas.

Esse tipo de gente que argumenta dessa forma muitas vezes passam por uma série repetitiva de exemplos até liberar o seu argumento final e presumivelmente o mais influente contra o sentimento de que todas as lesões podem ser evitadas: somos todos humanos e cometemos erros. Para eles, afirmar que  "todas as lesões são evitáveis" é algo irrealista e revoltante. Eles afirmam que a crença de que todas as lesões podem ser impedidas é um simples caso de análise viciada.

Em alguns casos essas pessoas negativas estão corretas. Não é prudente e nem possível para as organizações investirem uma soma infinita de dinheiro para prevenir acidentes que podem ocorrer, principalmente aquelas consideradas que ocorrem por um “ato divino”. Além disso, há de fato incertezas que precarizam alguns processos de forma natural. Ou seja, nós somos, afinal de contas, todos sujeitos à segunda Lei da termodinânica: a entropia de um sistema (a desordem ou a “bagunça”, segundo alguns físicos,  sempre aumenta).

Talvez isto deveria colocar um prego no caixão desta crença fundamental, mas os resultados falam por si.

Há uma forte correlação entre o desempenho de segurança e a crença fundamental (acidentes podem ser evitados). A crença geral, como está escrito, não sugere que os incidentes não ocorram, ou que desastres naturais poderiam ser evitados. E isto sugere que as salvaguardas devem estar no local para garantir que os trabalhadores serão protegidos em conformidade com as normas de proteção. O princípio fundamental, então, não é que os incidentes são evitáveis, mas que as lesões são.

E vamos ser claros, a linguagem certamente não usa o termo "acidente". De fato, de acordo com o dicionário Oxford-Inglês on-line, o acidente pode ser definida como "um evento que acontece por acaso ou seja, sem causa aparente ou deliberada" seguido por seu uso em uma frase: "a gravidez foi um acidente." Fundamentalmente, a palavra acidente implica um nível de azar e falta de razão que não pode ser explicado. No entanto, é justo dizer que a maioria dos elementos descritos como "acidentes" ainda tem causas e meios de proteção não inteiramente devido a elementos aleatórios.


PORQUE DEVEMOS ACREDITAR

Finalmente, o objetivo de qualquer programa de segurança e saúde é reduzir o risco, aumentar os controles de risco ou medidas para reduzir a tomada de decisões que envolvem níveis desnecessários de risco. A mudança vem em duas formas - você pode mudar o sistema (por exemplo, fazendo uma instalação estruturalmente mais segura) ou você pode mudar a abordagem do indivíduo para operar dentro do sistema. O último é o motivo maior porque devemos acreditar.

A crença de que as lesões são evitáveis podem ter uma influência mensurável sobre os resultados do comportamento real.

Se a norma social organizacional é que nem todas as lesões são evitáveis, mesmo os indivíduos que acreditam que todas as lesões podem ser evitadas, e que são capazes de tomar decisões mais seguras e mais sábias, eles podem não acreditar. As normas proporcionam uma influência negativa. Ela também reforça o comportamento negativo para os indivíduos que fundamentalmente não acreditam. Além disso, a organização não pode enfatizar as consequências de acidentes e assim criando uma crença mais forte de que "acidentes acontecem".

Para esse fim, um pouco de crença pode percorrer um longo caminho - mostrando que os indivíduos são capazes de agir desta forma, são treinados para agir dessa maneira, e que fazendo parte do sistema de crença coletiva da organização pode conduzir a mudança de comportamento mensurável. Talvez o debate fundamental em torno de "todas as lesões serem evitáveis" é mera semântica. O resultado potencial indicaria que mesmo uma tentativa superficial em incutir essa crença dentro da cultura pode ter um impacto mensurável sobre a organização.

Dito isto, é importante notar que se uma organização que realmente abraçe a ideia de que todas as lesões podem ser evitadas, resultados significativos podem ser alcançados.

Tomemos por exemplo duas perguntas adicionais que fazem parte de um Inquérito para a Percepção da Segurança: qual é a prioridade que você, pessoalmente, dá à segurança e qual a prioridade você acredita que seus colegas dão à segurança? Entre as empresas de segurança de grande sucesso, tal como definido anteriormente, dos 94 por cento dos funcionários que disseram que todas as lesões eram evitáveis, 96 por cento dizem que a segurança é a primeira prioridade. E 91 por cento acreditam que seus colegas dizem o mesmo.

Em contraste com o resto da população do estudo, em que a resposta média para prioridade pessoal foi de 80 por cento, o escore para a prioridade de um colega foi surpreendentemente baixa (média de 54 por cento).

Em suma, quase um quarto dos funcionários na maioria das empresas não tem a segurança como sua primeira prioridade. Presumivelmente, esses são os funcionários que dizem: "quando agente é empurrado pra um risco, um outro objetivo corporativo é mais importante do que eu voltar em segurança para casa hoje à noite." E quase metade não confia que a segurança seja  prioridade de seus colegas.

Se você considerar como as normas sociais influenciam o comportamento, fica claro que essa ausência de confiança pode levar a resultados catastróficos.

FAZENDO ACONTECER

Considerando que acreditar é o objetivo, existem 3 áreas críticas que podem influenciar no resultado:

 

CONCLUSÕES

Segurança não é apenas uma prioridade crítica em qualquer empresa, ela deve ser a primeira prioridade.

A questão é: o que você está fazendo hoje para impulsionar o sucesso sustentável a longo prazo na cultura de segurança da sua organização? Como você vai se comprometer com lesões zero? Como é que vai impulsionar o desempenho da equipe de forma a que cada um possa ir pra casa com segurança?

AS LIÇÕES DA APOLLO 13

Então porque é que as pessoas no controle da missão continuaram empurrando para além dos limites para salvar três homens em um local de grande distância entre a Terra e nosso satélite mais próximo? Gene Krantz, o Diretor de Vôo daquele vôo fatídico da Apollo 13, compartilha a seguinte história em sua biografia:

Segurança não é apenas uma prioridade crítica em qualquer empresa, deve ser a primeira prioridade.

"O termo que usamos foi 'solução' - opções, outras maneiras de fazer as coisas, achar soluções para os problemas que não se encontravam em manuais e esquemas. Estes três astronautas estavam fora do nosso alcance físico. Mas não além do alcance da imaginação humana, inventividade e uma crença de que todos nós vivemos por ela: 'O fracasso não é uma opção. "

Na verdade, mesmo quando eles estenderam para além de todas as precauções de segurança e soluções de engenharia que tinham em mãos, foi a dedicação de uma força de trabalho bem treinada trabalhando sob o mesmo mantra que encontrou uma maneira e salvou aqueles homens de danos.

E se eles podem fazê-lo a partir além dos limites do nosso próprio planeta, certamente podemos conseguir o mesmo. Nós só precisamos acreditar que podemos.

CONEXÃO NRs

O PPRA é parte integrante do conjunto mais amplo das iniciativas da empresa no campo da preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores. Esta NR estabelece os parâmetros mínimos e diretrizes gerais a serem observados na execução do PPRA, podendo os mesmos ser ampliados mediante negociação coletiva de trabalho. Acesse as NRs em nosso Remissivo para acompanhar.

 

 

 

 

 

 

Rich Eagles

Gerente dedicado a soluções sustentáveis em operações de segurança.

Mike Keesey

consultor Senior e perito em análise de soluções sustentáveis em segurança. 

 

Lido 31275 vezes Última modificação em Terça, 14 Junho 2016 21:42

4 comentários

  • Link do comentário Janaína Araújo Quinta, 15 Setembro 2016 09:42 postado por Janaína Araújo

    bom dia!

    agregou bastante conhecimento, grato pelo material Dr.

  • Link do comentário katrine Terça, 16 Agosto 2016 00:40 postado por katrine

    muito bom .........

  • Link do comentário rick_br Quarta, 27 Julho 2016 17:38 postado por rick_br

    parabens este conteudo me ajudou bastente

  • Link do comentário Ailton Pereira Quinta, 16 Junho 2016 21:01 postado por Ailton Pereira

    Excelente comparação do acidente ocorrido com a Apolo 13, o empenho em preservar as vidas da tripulação e as medidas preventivas existentes no PPRA. Temos excelentes normas e orientações sobre os caminhos a seguir para que não ocorram lesões durante atividades no trabalho. Precisamos nos debruçar, entender e colocar em prática.

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