(NR-22): MINEIROS DO BRASIL

Quinta, 01 Fevereiro 2018 04:15
Avalie este item
(1 Votar)

marciafoletto2

 

O embarque dos mineiros lembra o embarque de astronautas da NASA. Mas aqui o buraco é mais embaixo. Esses trabalhadores adentram um território de alto risco de doenças e acidentes, muitas vezes em situação precária de segurança individual e ambiental.

O artigo abaixo foi publicado no site de “O Globo”, descrevendo a situação dos nossos mineiros. Não é somente no Chile, mas em vários países, incluindo o Brasil, a atividade mineira encerra riscos específicos e elevados.

A preocupação com o trabalho em minas começa em 1931 quando a OIT emite a Convenção No. 31, que limitava as horas de trabalho em trabalhadores de minas de carvão. No Brasil, é a NR-22 (acesse a versão digital da NR aqui)  que trata da Segurança e Saúde Ocupacional na Mineração.

O site NRFACIL solicitou e foi autorizado a publicar a reportagem, através de email de Márcia Santos, Assistente de Relacionamento do site www.oglobo.com Veja os créditos abaixo e o link da reportagem

 

 

 

TRABALHO NA MINA

São dez mil trabalhadores em minas subterrâneas no Brasil, 5.146 atuando na extração de carvão, dos quais 4.154 somente em Santa Catarina. Enfrentam um dos trabalhos mais perigosos do mundo: a extração de minerais no subsolo. Nas minas de carvão do estado, eles descem em gaiolas, elevadores que levam os mineiros até 150 metros, podendo descer a 370 metros de profundidade. Eles se aposentam com 15 anos de profissão e ganham entre R$ 1.200 e R$ 2.400. São em sua maioria jovens e filhos, netos, sobrinhos, irmãos, genros e cunhados de mineiros. A atividade centenária na região espalha-se por seis cidades unidas pelo carvão: Criciúma, Lauro Muller, Barro Branco, Siderópolis, Forquilhinha e Treviso. Desde maio de 2008, houve 12 mortes na região e dois trabalhadores ficaram inválidos.

São 11 minas de carvão em Santa Catarina. A Mina 3, da Cooperativa de Extração de Carvão Mineral dos Trabalhadores de Criciúma (Cooperminas), está a 100 metros de profundidade, no município de Forquilhinha. Já avançou 4,5 quilômetros por debaixo da terra, extraindo o mineral, em paralelo à superfície. São 700 mineiros trabalhando 24 horas.

Há normas que determinam as condições de segurança no trabalho nas minas. A mais recente, a NR-22, ainda não foi plenamente adotada no Brasil. Mas houve avanços. A poeira constante que anuviava o ambiente foi praticamente eliminada, com a umidificação da mina. Os furadores de teto que eram carregados pelos mineiros ficam agora presos ao chão. A ventilação melhor fez cair a temperatura no subsolo.

 

DOENÇAS E ACIDENTES

Em 1984, uma explosão provocada por gás metano, na mina Santana, em Urussanga, Santa Catarina, matou de 31 mineiros de uma só vez, no maior acidente registrado na região

Enquanto o mundo ainda comemora o resgate dos 33 mineiros chilenos, que ficaram presos a 750 metros de profundidade, no Brasil os trabalhadores nas 11 minas de carvão em Santa Catarina choram os seus mortos a conta-gotas na região. Foram 12 mortes desde maio de 2008. A última aconteceu há apenas dois meses, e mais dois mineiros ficaram inválidos. A cada dois meses, um trabalhador perdeu a vida nas minas subterrâneas, num dos trabalhos mais perigosos do mundo, revela reportagem de Cassia Almeida e fotos de Marcia Foletto.

Os acidentes fatais tinham parado de assombrar a rotina dos 4.154 mineiros das cidades de Criciúma, Lauro Muller, Barro Branco, Siderópolis, Forquilhinha e Treviso, em Santa Catarina. Entre 2003 e 2007, um trabalhador morreu. A situação começou a piorar em maio de 2008, com a explosão de metano na mina 3G, da Carbonífera Catarinense, onde dois mineiros morreram.

Segundo Ricardo Peçanha, superintendente do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) em Santa Catarina, ligado ao Ministério de Minas e Energia, a Carbonífera Metropolitana, com 800 funcionários, concentra a maior parte dos acidentes fatais: desde maio de 2008, aconteceram lá seis das 12 mortes e um trabalhador ficou inválido. “Embora a empresa tenha os procedimentos mais específicos, maior equipe de engenheiros e técnicos e a que tem a maior quantidade de equipamentos de proteção e controles, é a que tinha o pior clima organizacional e de relacionamento”.

A história das cidades da região carbonífera de Santa Catarina se confunde com a atividade centenária, que atrai trabalhadores geração após geração e explica tanto o desenvolvimento econômico como a degradação ambiental e a insegurança no trabalho. Os salários costumam ser melhores e a aposentadoria ocorre após apenas 15 anos, o que atrai os homens da região.

Lido 172 vezes Última modificação em Quinta, 01 Fevereiro 2018 22:26

1 Comentário

  • Link do comentário Cleiton Técnico Seg. Sábado, 17 Fevereiro 2018 03:55 postado por Cleiton Técnico Seg.

    muito boa matéria......gostaria de ler mais artigos sobre essa NR pois vejo poucos pela internet

    abç Cleiton - POA RS

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.


Categorias: