(NR-9) NÍVEL DE AÇÃO: DEIXANDO SEU PPRA A PROVA DE BALA

Terça, 03 Maio 2016 00:45
Avalie este item
(10 votos)


Hoje nós vamos falar sobre Nível de Ação na NR-09. 

Então vamos começar pelo ítem 9.3.6:

 

 


O que significa o Nível de Ação? 

Você precisa entender uma coisa: o PPRA tem ligação com a NR-15. Ou seja, a NR-09 tem ligação com a NR-15.  Poucos profissionais da área SST se dão ao trabalho de entender sobre isso. Você nunca pode ignorar este fato. E a NR-09 também pode ter ligação até mesmo com a ACGH. A NR-09 deixa em aberto essa possibilidade.

Então quando não houver limite de tolerância na NR-15,  podemos buscar na ACGH ou em qualquer outra Norma a Segurança do meu Trabalhador. O objetivo de se trabalhar com limite de tolerância, nível de ação é você ter parâmetros.

O que acontece hoje?

o profissional avalia o ambiente de trabalho, descobre a quantidade de decibéis, de ppm, etc mas não sabe o que fazer com essa informação. E de que adianta avaliar se não souber o que fazer com essa informação depois?

Com o exemplo a seguir você vai saber exatamente como utilizar esta informação.


 

 

Nem todo agente de risco ambiental possui limite de tolerância. Se você observar a NR-15, vai perceber que alguns agentes até dão insalubridade mas não tem limite de tolerância e conseqüentemente não tem nível de ação. Exemplo: umidade.

O simples fato do trabalhador exercer sua função em ambientes úmidos, molhados, ele já tem direito a insalubridade mas não tem limite de tolerância e consequentemente nível de ação. 

A nossa NR-15 é bem antiga. Tudo bem que sofre algumas atualizações com o passar do tempo mas ela foi lançada em 1978 e alguns dos critérios permanecem até hoje. E porque a nossa, feita em 78, permanece quase do mesmo jeito e a ACGH, a Norma Americana, é atualizada todo ano?

Por esse motivo não se deve confiar cegamente nos limites de tolerância. E ainda tem outra coisa que é a suscetibilidade individual, mas falaremos disso daqui a pouco.

Voltando, como aprender sobre Nível de Ação e Limite de Tolerância?

Para ilustrar, imagine a parte em azul escuro da figura abaixo como se fosse um copo. Mas ao invés de colocar água nesse copo, você vai colocar ruído. Faça essa analogia, ela facilitará bastante sua compreensão.

Vamos começar pelo Limite de Tolerância. O Limite de Tolerância do Ruído Ocupacional são de 85 dB(A). O Nível de Ação é metade do Limite de Tolerância. O dobro de 85 são 170. E quanto é a metade de 85 dB(A)? se você disse 42,5 você errou!

No Ruído Ocupacional a exposição dobra ou diminui a cada 5 dB(A). Para fins da NR-15 a cada 5 dB(A). Então o dobro de 85 dB(A) não são 170 dB(A). O dobro de 85 dB(A) são 90 dB(A). Da mesma forma que a metade de 85 dB(A) não são 42,5 dB(A). A metade de 85 dB(A) são 80 dB(A). Logo, nosso nível de ação são 80 dB(A) como vamos mostrar na figura a seguir.

 

 

Voltemos ao exemplo do copo. Vamos imaginar ele enchendo até a metade de ruído. Da metade pra cima o que teremos? Ação!Você vai ter que trabalhar no controle do Ruído Ocupacional. A partir de 80 dB(A) a empresa já deve trabalhar no controle do ruído.

 

E lembrando que não é só chegar e falar que deu 80, 81 dB(A) e entregar um protetor auditivo pro trabalhador, por exemplo. É preciso lembrar da hierarquia das medidas de controle mostradas pela NR-09. Medidas Administrativas, Medidas Coletivas e por último Medidas de Controle Individual que é o famoso EPI. 

Então, se continuarmos colocando ruído no copo, o que acontece quando seu copo derrama? você passa do Limite de Tolerância. Então, o trabalhador passa a ter direito a Insalubridade, como mostra a figura abaixo.

 

Mas é preciso lembrar uma coisa importante: nós não abordamos Insalubridade dentro da NR-09 e nem dentro do PPRA. Insalubridade deve ser abordada na NR-15. É preciso fazer um Laudo de Insalubridade. A função do PPRA é meramente preventiva.

Outra questão muito importante é a suscetibilidade individual. Como foi dito anteriormente, nós não podemos confiar cegamente no Limite de Tolerância. Ele é um parâmetro importante sim, mas não devemos confiar cegamente nele assim como não devemos confiar cegamente no Nível de Ação da NR-09. Então o que devemos fazer? é preciso ficar de olho na suscetibilidade individual do trabalhador, pois podem haver trabalhadores que com 78 dB(A) já podem ter problemas de audição. A sugestão é sempre trabalhar numa Zona de Segurança. Se a NR diz 80, trabalhe em 79, 78, pra não correr risco nenhum. Dessa maneira você vai estar transformando seu PPRA num programa a prova de bala.

Sempre que a NR-15 fala de exposição e limite de tolerância, ela está falando de exposição sem proteção. Então, se passou dos 85 dB(A) sem proteção, será pago insalubridade. Para atenuar, vou pegar esses 85 dB(A), dar uma olhadinha, por exemplo, na caixa do meu EPI tem o nível de ruído que ele atenua. Então eu vou pegar 85 menos o nível que ele atenua e pronto, cheguei a proteção que meu EPI fornece. Repare como é importante entender de nível de ação e limite de tolerância senão você vai avaliar mas não vai saber como controlar e quando controlar agentes de risco no seu ambiente de trabalho.

Esse mesmo conceito de nível de ação você pode usar para o ruído, que é verificado em dose, para produtos químicos, que são verificados através da concentração, e pode ser utilizado também para vibração. Outros agentes citados, como é o caso do calor, tem limite de tolerância mas não tem nível de ação.

 

Nestor W. Neto, TST

 

Hoje nós vamos falar sobre Nível de Ação na NR-09. Então vamos começar pelo ítem 9.3.6:

 

O que significa o Nível de Ação?

 

Você precisa entender uma coisa: o PPRA tem ligação com a NR-15. Ou seja, a NR-09 tem ligação com a NR-15.  Poucos profissionais da área SST se dão ao trabalho de entender sobre isso. Você nunca pode ignorar este fato. E a NR-09 também pode ter ligação até mesmo com a ACGH. A NR-09 deixa em aberto essa possibilidade.

Então quando não houver limite de tolerância na NR-15,  podemos buscar na ACGH ou em qualquer outra Norma a Segurança do meu Trabalhador. O objetivo de se trabalhar com limite de tolerância, nível de ação é você ter parâmetros. O que acontece hoje? o profissional avalia o ambiente de trabalho, descobre a quantidade de decibéis, de ppm, etc mas não sabe o que fazer com essa informação. E de que adianta avaliar se não souber o que fazer com essa informação depois?

Com o exemplo a seguir você vai saber exatamente como utilizar esta informação.

Lido 3684 vezes Última modificação em Terça, 10 Maio 2016 22:37

2 comentários

  • Link do comentário Jorge Cardoso Fernandes Terça, 19 Julho 2016 19:34 postado por Jorge Cardoso Fernandes

    Postagem muito lucida, legitimando os conhecimentos que os profissionais de SMS devem possuir acerca destas problemáticas.

    Vamos em frente!

  • Link do comentário augusto_marinho Terça, 17 Maio 2016 23:25 postado por augusto_marinho

    tirou basante dúvidas post bem esclarecedor

    obrigado a todos

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.

Redator

(NRS 10, 12, 18, 31 E 33) ATMOSFERAS EXPLOSIVAS
NR-35: TREINAMENTO TEÓRICO E PRÁTICO
GUIA DE ANÁLISES ACIDENTE DE TRABALHO
INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE CORDAS DE SEGURANÇA
SEGURANÇA E UTILIZAÇÃO DE ABRASIVOS
O QUE VOCÊ ESPERA DA EMPRESA?
NR-20: AS 3 CLASSES DE INSTALAÇÕES
ABC DO TRABALHO EM EMBARCAÇÕES
MOTOBOY: CARTILHA PARA PREVENÇÃO DE ACIDENTES NO TRANSITO
GLOSSÁRIO DO INCÊNDIO
SALÁRIO DOS TÉCNICOS DE SEGURANÇA: VEJA PORQUE É BAIXO
(NR-35) 10 ELEMENTOS BÁSICOS EM PROTEÇÃO DE QUEDAS
50 TONS DE SEGURANÇA NO TRABALHO
CONFIRA AS PRINCIPAIS DÚVIDAS E RESPOSTAS SOBRE A NR-17
SAÚDE E SEGURANÇA DO TRABALHADOR (SST) NAS SUBCONTRATAÇÕES: QUESTÕES ATUAIS
SEGURANÇA NA UTILIZAÇÃO DE ANDAIMES
CARTILHA PARA SEGURANÇA NO CANTEIRO DE OBRAS
O STRESS DO EPI
O QUE FAZER NO LOCAL APÓS UM ACIDENTE DE TRABALHO?
O PERIGO DO AMIANTO
LOBBY DO AMIANTO GASTA US$ 100 MILHÕES NO MUNDO
AMIANTO: PERGUNTAS E RESPOSTAS
RUÍDO AERONÁUTICO: IMPACTOS E PERSPECTIVAS ATUAIS
RUÍDO SOMADO À EXPOSIÇÃO A PRODUTOS QUÍMICOS PODE CAUSAR DANOS DEVASTADORES A AUDIÇÃO
CALOR EM AMBIENTE EXTERNO É INSALUBRE?
5 RECOMENDAÇÕES PARA QUEM TRABALHA EM PÉ
BERNARDINO RAMAZZINI - AS DOENÇAS DOS TRABALHADORES (2016)
(NR-9) NÍVEL DE AÇÃO: DEIXANDO SEU PPRA A PROVA DE BALA
OS 10 MANDAMENTOS DO SOCORRISTA
DECAPAGEM QUÍMICA
PROBLEMAS LIGADOS AO ÁLCOOL E AS DROGAS NA SEGURANÇA NO TRABALHO
PONTOS DE VERIFICAÇÃO ERGONÔMICA NA AGRICULTURA
CARTILHA LER-DORT
PREVENÇÃO DE EXPOSIÇÃO AO BENZENO NO BRASIL
DOCUMENTOS MÍNIMOS PARA ATENDIMENTO À NR-12
A BASE DE CÁLCULO DO ADICIONAL DE INSALUBRIDADE
INSALUBRIDADE E PERICULOSIDADE: PERGUNTAS E RESPOSTAS
COMO CALCULAR ADICIONAL DE INSALUBRIDADE
PARA NÃO ESQUECER: 9 MOTIVOS PARA VOCÊ SE PREOCUPAR COM A NOVA LEI DA TERCEIRIZAÇÃO
TRABALHO AEROPORTUÁRIO E PERICULOSIDADE
CÓDIGO DE ÉTICA DOS TÉCNICOS DE SEGURANÇA DO TRABALHO
Monografia: O DIREITO À PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE DO TRABALHO PORTUÁRIO
INSS: DIREITO DE REGRESSO EM AÇÕES ACIDENTÁRIAS
(NR-5 CIPA) CULPA E RISCO EM ACIDENTE DE TRABALHO
ANÁLISE DE ACIDENTES: O FIM DA CAT?
ANÁLISE DOS SINAIS PRECURSORES DO ACIDENTE DA P-34
DA MEDICINA DO TRABALHO À SAÚDE DO TRABALHADOR
MÉTODO HRN (HAZARD RATING NUMBER) NA NR-12
VEJA COMO ATUALIZAR SEU SOFTWARE
15 DICAS QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE LINHAS DE VIDA
AFINAL, O QUE É TESTE CARGA?
AFINAL, PODE OU NÃO ILUMINÂNCIA NO PPRA?
SESMT: PERGUNTAS E RESPOSTAS (MTE - 2016)
PROTOCOLO DE SEGURANÇA NO TRABALHO NAS OBRAS DAS OLIMPÍADAS RIO 2016
E-SOCIAL: UMA NOVA ERA NAS RELAÇÕES ENTRE EMPREGADORES, EMPREGADOS E GOVERNO (POR FELIPE COSTA, TST)
MODELAGEM COMPUTACIONAL APLICADA PARA SEGURANÇA/PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS
TIPOS DE FERRAMENTAS MANUAIS
MTE: ESTRATÉGIA NACIONAL PARA REDUÇÃO DE ACIDENTES NO TRABALHO 2015-2016
GESTÃO DA SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR
UTILIZANDO UMA MATRIZ DE RISCO
GESTÃO DE RISCO NA CONSTRUÇÃO CIVIL
A GESTÃO ESTRATÉGICA DA INFORMAÇÃO DE SAÚDE DO TRABALHADOR

Assine já e participe 

dos nossos grupos 

no Whats App!

Conheça profissionais 

de todo Brasil e tire

suas dúvidas!