O QUE FAZER NO LOCAL APÓS UM ACIDENTE DE TRABALHO?

Domingo, 01 Julho 2012 15:30
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O QUE FAZER NO LOCAL APÓS UM ACIDENTE DE TRABALHO?

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O QUE FAZER NO LOCAL APÓS UM ACIDENTE DE TRABALHO?

Você já pensou o que deve ser feito depois que ocorre um acidente grave em uma fábrica ou em um grande ambiente de trabalho?

Ainda não existe uma NR que aborde especificamente a questão de como proceder no local quando ocorrem acidentes. Como as NRs são de natureza preventiva, e o acidente é uma ruptura nos mecanismos de prevenção, os profissionais do SESMT devem buscar em outras fontes a orientação sobre como proceder em caso de acidentes. Consulte o artigo publicado neste Blog sobre um Roteiro para Investigação de Acidentes de Trabalho, aliás, um dos posts mais acessados (veja tambem a Parte 2 sobre o assunto).

Geralmente quando se trata de acidente de trabalho a discussão gira em torno da CAT, dos processos de Investigação e da Responsabilidade da empresa. Na Previdencia e no Ministério da Saúde, os trabalhadores encontram orientações sobre o tratamento médico, seja ambulatorial ou hospitalar, incluindo reabilitação.

Mas sobre os riscos para os trabalhadores após um acidente, não encontramos qualquer informação, daí a utilidade deste artigo.

Um especialista em Serviços de Cena de Crime, mas com experiência de limpeza de locais em diversas situações como de trânsito e de queda de aviões, afirma que há algumas coisas que devem ser levadas em conta.

  1. artigo, traduzido do site OHS on line pelo Prof. Samuel Gueiros, é de autoria de Robert Kravitz, especialista em limpeza industrial e autor de livros sobre limpeza hospitalar e industrial.

LIMPEZA DE ACIDENTE
Robert Kravitz

Em grandes ambientes de trabalho, vale a pena investir em trabalhadores treinados para lidar com operações de limpeza de acidentes.

operador-padaria

Enquanto muitos acham que as grandes indústrias são seguras agora mais do que eram há uma década, acidentes continuam a acontecer. Veja o exemplo abaixo:

Um trabalhador foi contratado por uma agência de trabalho temporário para uma indústria de empacotamento de queijo. Apenas poucas horas no seu turno de trabalho, e ele não se lembra como aconteceu, seu braço foi apanhado por um das máquinas,  teve que ir para o hospital e acabou tendo o braço amputado.

Ações imediatas de trabalhadores e do supervisor que estavam perto conseguiram evitar o que poderia tornar o acidente ainda mais grave. Os médicos acreditaram que sem a intervenção daqueles colegas, o trabalhador poderia ter perdido os dois braços – ou até a própria vida – devido ao grande sangramento que ocorreu.

Infelizmente, quando acidentes desse tipo ocorrem, há um outro problema que deve ser enfrentado: a limpeza apropriada do local do acidente. Muitas pessoas acreditam de forma equivocada de que após um acidente em uma fábrica ou até mesmo em uma residência, em que alguem sofreu uma lesão, quem deve limpar a cena do acidente sejam a policia ou os bombeiros. Mas não é assim que as coisas devem ocorrer. Em praticamente todas as situações, uma vez que a vítima tenha sido removida e os peritos tenham concluído sua investigação, as tarefas de limpeza devem retornar para os supervisores e proprietários, os quais devem lançar mão de uma equipe treinada. Entretanto, sem experiencia ou treinamento apropriados, passar esse trabalho para uma equipe pode acarretar um problema sério esperando para acontecer.

images-3O QUE ESPERAR

Você já pensou o que deve ser feito depois que ocorre um acidente grave em uma fábrica ou um grande ambiente de trabalho?

Um especialista em Serviços de Cena de Crime, mas com experiência de limpeza de cenas em diversas situações como de trânsito e de queda de aviões, afirma que há algumas coisas que devem ser levadas em conta:

  • Sangue e fluidos corporais podem ter se espalhado por diversas superfícies próximas, incluindo equipamentos, cadeiras, estantes, pisos, paredes, lâmpadas incluindo os produtos da empresa que estão sendo fabricados ou manipulados;
  • Partes ou restos de corpos podem ser encontrados no acidente ou em área próxima.
  • Dependendo do tipo de acidente, exintores de incêndio ou resídios químicos necessitam ser removidos

Todos essas coisas devem ser consideradas riscos biológicos, afirma um especialista. Eles tem de ser removidos por trabalhadores que devam saber o que estão fazendo e como fazê-lo de forma segura.

Nos Estados Unidos existem leis federais que exigem que nenhum empregado ou trabalhadores de limpeza possam ser expostos sem que possam passar pelo seguinte roteiro:

  • Recebam treinamento em agentes patogênicos presentes no sangue;
  • Tenham um roteiro escrito (Plano de Controle sobre exposição a agentes patogênicos desenvolvidos para a prevenção e controle desses bioagentes, em caso de ocorrência de acidente)
  • Estarem protegidos com EPIs adequados (luvas, uniformes e botas);
  • Em alguns casos, receberem vacina contra hepatite B, avaliação de exposição e acompanhamento médico após as operações de limpeza;
  • Recebam treinamento em remoção, armazenamento e manipulação de descarte de riscos biológicos.

Além disso, esses trabalhadores devem buscar cursos de certificação oferecidos por órgãos oficiais ou especializados nesse treinamento, incluindo normas regulamentadoras de órgãos governamentais.

images-2OPERAÇÕES DE LIMPEZA

Uma vez que a área onde ocorreu o acidente possa ser acessada, o primeiro passo em uma operação de limpeza do acidente, envolve uma avaliação da situação. Por exemplo, se sangue, fluidos corporais ou resíduos estão presentes nas superfícies ao redor do evento, deve-se determinar o que deve ser simplesmente limpo e o que deve ser descartado. Além disso, os pequenos itens afetados pelo acidente devem ser removidos e adequadamente empacotados para uma posterior limpeza ou armazenamento.

Após completada a avaliação, a limpeza propriamente dita deve começar. Trabalhadores devem estar adequadamente protegidos, e assim o trabalho deve começar pela limpeza das paredes, máquinas, pisos, tetos e outras superfícies com um desinfetante do tipo hospitalar. O desinfetante deve ser poderoso o suficiente e certificado para eliminar HIV, certas formas de hepatite, bacterias (e. coli) e herpes, assim como bolor e fungos. Essa informação deve constar da etiqueta do desinfetante.

Infelizmente, devido ao fato de que as superfícies são muito tocadas durante o processo de limpeza, mesmo quando utilizando-se de EPI apropriado, o trabalhador precisa ter precauções assumindo sempre que a vítima possa ter um virus, doença, ocasionando a que a contaminação cruzada se torne uma situação grave.

A fim de evitar contato com superfícies e o risco de contaminação cruzada, alguns especialistas em locais de acidentes de trabalho recomendam a utilização de spray, evitando a limpeza através do toque direto da superfície. Com esses sistemas os desinfetantes são quimicamente injetados nas áreas afetadas. É necessário um tempo suficiente de aplicação, o que geralmente aparece na etiqueta do produto, incluindo borrifar um enxaguante nas mesmas áreas. Na maioria dos casos, o aplicador deve gerar pressão suficiente e assim os patógenos e sujeiras são removidas rigorosamente das superfícies, embora ainda uma escova possa ser utilizada, se necessário. Todo o processo elimina a necessidade de se tocar em superfícies contaminadas, ajudando a proteger a saúde dos trabalhadores limpos.

Quando se utilizar um spray, é importante selecionar um vaporizador que tenha a capacidade de misturar todos os resíduos e removê-los da área do acidente para uma apropriado descarte. Esta etapa ajuda a deixar a área relativamente seca e pronta para o uso em um tempo mínimo.

images-5PLANOS DE CONTINGÊNCIA

Enquanto a maioria das empresas poderá ter um plano para cobrir o que deve ser feito em caso de um acidente de trabalho, eles podem não ter um plano de contingência para lidar com as operações de limpeza do local. Portanto, a melhor opção pode ser contratar uma empresa terceirizada.

Entretanto, em um ambiente de trabalho amplo, com muitos trabalhadores e onde esses acidentes são sempre uma possibilidade, é melhor investir no treinamento de trabalhadores para lidar com operações de limpeza de local de acidente. O tipo de equipamento mencionado atrás torna o processo mais fácil, e, o mais importante, seguro. Em qualquer caso, trata-se de situação em que os supervisores devem estar alertas.

2117RISCO BIOLÓGICO – DEFINIÇÕES

  • Sangue – sangue humano e não humano, componentes de sangue humano e não humano;
  • Agentes patogênicos transmissíveis pelo sangue – microorganismos presentes em sangue humano e não humano, e que causam doença, incluindo hepatite B, hepatite C, virus HIV e virus Herpes B;
  • Contaminação – presença ou suposta presença de materiais potencialmente infecciosos em algum item ou superfície do ambiente;
  • Desinfecção – uso de agentes químicos para remover, inativar ou destruir agentes patogênios transmissíveis presentes no sangue a um ponto em que esses bioagentes não sejam mais capazes de transmitir partículas infecciosas tornando-se seguras para o manuseio, uso ou descarte.
  • EPI especializado – equipamentos específicos para proteção contra riscos biológicos;
  • Fluidos corporais potencialmente infecciosos – esperma, leite materno, secreções vaginais, fluido cerebro espinal, fluido pleural (pulmões), fluido pericárdico (cardíaco), fluido peritoneal, fluido amniótico, saliva ou qualquer outro fluido que pode estar visivelmente contiminado com sangue e todos os outros fluidos corporais em situações nas quais é difícil ou impossível diferenciar entre esses fluidos.

AS NRs
Prof. Samuel Gueiros

Observamos que o  foco do artigo é a possibilidade de contaminação biológica dos trabalhadores durante a limpeza do local de acidente.  Inexistem nas NRs orientação sobre procedimentos em locais de acidentes, exceto comunicar o acidente e encaminhar o trabalhador, quando necessário. Algumas NRs abordam os agentes biológicos nos ambientes de trabalho (NRs 7-PCMSO, 15-INSALUBRIDADE e a NR-32-SAÚDE, esta última relacionada às atividades do trabalhadores em serviços de saúde). Na NR-7, existem parâmetros para monitorar a exposição a agentes cuja avaliação é do tipo quantitativa, o que não ocorre com os agentes biológicos. Na NR-9 (PPRA), o reconhecimento dos riscos é todo calcado na prevenção, em cima de uma situação pre-acidente. E na NR-15, a exposição a agentes biológicos caracteriza níveis de insalubridade em atividades específicas e implica na concessão de adicionais mediante perícia.

Ou seja, inexiste uma NR sobre procedimentos pós acidente. Entretanto, o conhecimento de alguns tópicos da NR-32 pode ser útil para os profissionais do SESMT em caso de acidentes em que seja necessária a limpeza do local.

A NR-32 aborda especificamente a questão da exposição ocupacional a agentes biológicos em atividades na área da saúde. Abrindo a pasta da NR-32 entre no REMISSIVO e clique no item RISCOS BIOLÓGICOS. O primeiro texto relaciona-se à definição de risco biológico em relação à NR-32 e o segundo texto aborda (item 32.2.3.2) há as recomendações sobre exposição acidental. É nesse item que podem se enquadrar os trabalhadores que porventura necessitem desenvolver atividades de limpeza de um local de acidente.

nr-32

riscosbiologicos1

nr32pcmso
Tradução e contextualização: Prof. Samuel Gueiros
Médico do Trabalho, Coord NRFACIL

Lido 3327 vezes Última modificação em Segunda, 07 Abril 2014 08:13
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