Após a leitura da tradução abaixo, recomendamos revisar as NR-6, NR-12 e NR-17 que tratam da proteção e adaptação ao trabalho, bem como da proteção de máquinas. É importante salientar que o uso do EPI deve ser utilizado somente quando as medidas de proteção coletiva tiverem sido esgotadas. Cabe ao SESMT (NR-4) e a CIPA (NR-5) especificamente a orientação nesse processo. Quanto à NR-12 há uma ênfase nos cuidados para a proteção de partes móveis, correias e transmissões das máquinas. É obrigatório observar a recolocação dos dispositivos de segurança que são retirados durante a manutenção. A não reposição desses dispositivos constitue um dos riscos mais comuns no binômio máquina x mãos. Interessa tambem conhecer a NR-17 e obter noções sobre Análise Ergonômica. Conheça a versão digital das NRs no site www.nrfacil.com.br e no software NRFACIL.
FUNDAMENTOS PARA A PROTEÇÃO DAS MÃOS
Da próxima vez que alguem em seu departamento sofrer uma lesao destrutiva na mão, avise todos os supervisores da situação da lesão e os custos associados.
Linda J. Sherrard Aug 01, 2010 MS, CSP, é Diretora de Segurança do Departamento de Justiça (North Carolina) e ex-diretora da Revista Segurança e Saúde no Trabalho nos Estados Unidos.
MÁOS E MÁQUINAS
Encare os fatos: todas as indústrias tem acidentes com lesão de mãos e dedos. Desde as máquinas pesadas da indústria de panificação até o trabalho em escritórios comuns, uma revisão na sua estatística anual vai revelar acidentes com as mãos.
Tente trabalhar esse problema adotando uma postura de que voce vai reduzir tanto o número quanto a severidade desses acidentes.
Eu acredito firmemente no exercicio de medidas de segurança de forma contínua, em qualquer ambiente de trabalho e tenho certeza de que isso pode ser conseguido. Muitos profissionais acreditam em acidente zero desde o primeiro dia (um objetivo excepcional). Qualquer que seja o resultado compensará o esforço e o tempo.
ACIDENTES COM MÃOS
Esses acidentes são geralmente preveníveis com algum planejamento, treinamento e uma boa supervisão. Você está preparado para um desafio?
AVALIAÇÃO
Você e seus supervisores sabem quais as áreas da empresa onde ocorrem os mais graves acidentes com as mãos. Amputações podem ocorrer em acidentes com equipamentos que não foram protegidos corretamente. Áreas de engates são zonas perigosas. Todas as tragédias clássicas no trabalho quando mãos e dedos estão envolvidas acabam em uma máquina. A máquina sempre vence. Seria possível evitar as lesões? Absolutamente. Entretanto, décadas depois, nós ainda estamos tendo o mesmo tipo de lesões. O que deu errado?
Falha no acompanhamento dos problemas, em sua grande maioria, talvez. Após uma lesão como uma mão amassada, todos os papéis são preenchidos, o empregado recebe assistência médica., etc. O acidente é amplamente discutido, revisado por uma comissão de segurança, e recomendações gerais e específicas são feitas. Tudo isso vai ficando para trás…. até o próximo acidente!
PRIMEIRAS PROVIDÊNCIAS
Inclua esses itens abaixo na próxima vez que alguem sofrer de uma lesão destrutiva das mãos:
Alerte a todos os supervisores a cada reunião (da CIPA) sobre como está a situação daquele acidente e os custos associados a ele. Assegure-se de que cada supervisor ou gerente revise todos os documentos de cada lesão de mão regularmente para refrescar suas mentes. Oriente todos os empregados sobre o acidente específico e como preveni-lo para não acontecer de novo.
Implemente políticas efetivas do uso de proteções, luvas e outros EPIs, o uso apropriado dos equipamentos e o que for preciso. Muito mais importante são as diretrizes divulgadas através dos empregados e dos supervisores no caso de algum empregado que não estiver utilizando esses equipamentos.
Falhas no cumprimento de políticas ou de outras medidas de proteção acabam causando mais lesões. Implemente um acompanhamento com qualquer empregado que se recusa (não importa porque) até a sua demissão. Para algumas irregularidades em que alguem seja lesionado (como por exemplo, remoção de equipamentos de proteção da máquina) imediata demissão deverá ser necessária. Difícil? Eu discordo. Isso será necessário para proteger outros empregados.
AVALIAÇÃO ERGONOMICA
Qualquer que seja o trabalho, seja em um ambiente de escritório ou em uma madeireira, a ergonomia afeta cada empregado. Elabore uma avaliação ergonômica e realize as mudanças necessárias. Trata-se de um campo específico e assim você deve contratar um técnico experiente para efetivar as mudanças necessárias que irão ajudar os empregados.
EPI E PRIMEIROS SOCORROS
Tenha as ferramentas necessárias para a proteção de mãos. Se o ambiente de trabalho resseca a pele dos trabalhadores, como o uso de solventes, providencie cremes de proteção, misturadores, etc. Forneça luvas apropriadas e ferramentas para trabalho manual em tamanhos apropriados para todos os trabalhadores.
Tenha um Programa de Primeiros Socorros que realmente funcione. Organize o seu kit de primeiros socorros bem atento para itens apropriados para lesões de mãos de dedos. Primeiros socorros são para ajudar na recuperação e não torná-la lenta.
Pense um pouco mais à frente. Estariam os seus empregados devidamente alertados sobre quais os tipos de lesões para as mãos e dedos que podem acontecer na sua área de trabalho? Há um grupo de trabalhadores que geralmente são omitidos, que são os de escritórios; muitos deles irão apresentar pequenas lesões, de forma repetida que causa perda de tempo e pequenas despesas médicas. Assegure-se que o ambiente de trabalho está ajustado de forma apropriada e tenha as necessárias ferramentas para que as tarefas sejam cumpridas na hora certa. Enfatize o uso apropriado de roupas limitando aneis e adereços e orientar quanto ao tamanho das unhas.
Oriente todos os empregados sobre o seu ambiente e riscos de trabalho. Não apenas uma vez, mas regularmente. Isto deve manter a mensagem viva e vale a pena empregar este tempo. Posters, videos e aulas sempre funcionam. Dialogos Diários de Segurança tambem funcionam bem. Você conhece seu ambiente de trabalho; use o quer irá funcionar e vá em frente.
CHECK LIST DA OHS (Occupational Health & Safety -
Segurança e Saúde Ocupacional)
Lembre-se de que nenhum check list substitue um programa de segurança abrangente. Use esse check list (abaixo) como uma ferramenta adicional quando tiver que avaliar conformidade e consistência.
PROGRAMA DE PROTEÇÃO DE MÃOS – OHS 2010
O check list abaixo poderá ajudar no seu Programa de Avaliação. Assinale SIM (S) ou NÃO (N)
O seu ambiente de trabalho foi avaliado de forma ampla por um profissional de segurança para a identificação de riscos potenciais de equipamentos e processos que poderia resultar em lesões em mãos e dedos para os trabalhadores?
Foi desenvolvida uma avaliação em profundidade dos acidentes registrados? Este procedimento ajudará em focar em tendencias, em equipamentos ou processos ou ainda em mudanças onde mais lesões poderiam ocorrer?
Foram os gerentes de departamento incluidos na análise dos acidentes e assim eles poderiam ser “responsáveis” pelas lesões e os custos associados?
Teriam sido os novos equipamentos e processos avaliados antes de sua implementação para assegurar que fosse evitada a geração de novos riscos relacionados à atividade produtiva?
Teriam as análises de tendência incluidos diversos anos (série histórica) e considerados fatores sazonais ou o uso de alguma máquina especial não utilizada de forma rotineira?
Foram feitos Relatórios para incidentes onde não ocorreram lesões que não foram documentadas mas poderiam ter ocorrido?
Foram discutidas na CIPA as lesões ou quase incidentes relacionados à mão? Medidas corretivas foram implementadas?
Foram avaliados riscos que apresentam, usualmente e tambem de forma não rotineira, potencial de riscos para uma eliminação definitiva? Inclua serviços de manutenção ou métodos e processos alternativos se uma peça ou equipamento estiver com defeito.
Cada máquina ou processo foi revisado com relação aos dispositivos de proteção?
Seria a inspeção uma medida de rotina de qualquer programa de inspeção?
Como parte de um avaliação, cada máquina ou processo foi revisado com relação aos dispositivos de proteção?
As necessidades de EPI foram determinadas de acordo com o tamanho adequado para todos os empregados?
As ferramentas manuais sofreram reposição quando elas se tornaram gastas ou danificadas? Existe algum processo de seleção ou reposição?
Seu kit de primeiros socorros inclue recursos para lesões em mãos e dedos? Os responsáveis pelos primeiros socorros sabem como atender um acidente com amputação e como tratar esses casos antes que a atenção médica seja dispensada?
Os riscos que possam ocorrer em todos os processos, turnos ou equipamentos foram avaliados?
Os trabalhos em áreas remotas ou isoladas foram efetivamente avaliadas para proteger todos os empregados ou qualquer pessoa na área? Existe um sistema de comunicação em caso de uma lesão séria (como uma amputação)?
Foram documentados pelos supervisores qualquer reclamação, relatório ou comentários de empregados sobre equipamentos e processos que incluam potencial de risco para as mãos?
Os locais de trabalho foram todos submetidos a uma avaliação ergonômica? Alguma recomendação sobre um novo equipamento ou ferramentas de mão foi posta em prática?
Existe alguma recomendação sobre uso de adereços para empregados que operam máquinas? Eles estariam cientes dos riscos em usar anéis, pulseiras, etc., e o dano potencial caso alguma máquina venha a capturar esses objetos?
Existe na empresa alguma recomendação sobre as unhas dos trabalhadores utilizando máquinas? Esta recomendação é muito importante em processos que dissipam calor, onde unhas aritificiais ou outros materiais podem ser capturados ou derretidos.
Se luvas estão sendo utilizadas, existe um metodo de seleção correta e existe um inventários de manutenção de dimensões dos EPIs para todos os empregados? Os empregados recebem treinamento para uso e guarda do EPI?
Os empregados foram orientados sobre uso e guarda de luvas? Se um item de EPI deve ser reutilzado (como por exemplo, luvas utilizadas no preparo de alimentos), foram adotadas medidas de saúde de forma consistente?
Foram os equipamentos e ferramentas de mão bem como as condições de trabalho inspecionadas regularmente para um uso adequado, reposição e sinais de uso intensivo (degaste)?
Uma das responsabilidades profissionais em segurança é entender ao máximo como os adultos aprendem, assim como eles agem acerca dos aspectos técnicos da segurança.
Este artigo, publicado em inglês no site OHS on line, descreve como os princípios de aprendizagem do Dr. Benjamim Bloom podem fazer seu treinamento em segurança ser mais efetivo. Foi autorizada a publicação da tradução neste Blog.
É um artigo longo, e se você não puder lê-lo todo agora, vá lendo durante a semana e fazendo suas anotações.
Autor: Shawn Adams (Jun 01, 2010)
C.P.C.U., A.R.M., PHR, trabalha em treinamento e desenvolvimento para um hospital em Marion, Ill., e mora em Harrisburg, Illinois (USA)
Tradução livre do artigo no site
http://ohsonline.com/articles/list/ht-construction-safety.aspx
TREINAMENTO E APRENDIZADO
O consenso geral daqueles responsáveis pela segurança no trabalho é que os chamados atos inseguros causam a maior parte dos acidentes de trabalho. Assim, considerando que a maior parte dos acidentes é resultado de ações humanas, a batalha decisiva na guerra da segurança é pelas mentes dos trabalhadores.
O treinamento constitui a maior parte das responsabilidades de trabalho dos profissionais da segurança e uma ferramenta importante na mudança das mentalidades e subsequentemente dos comportamentos da força de trabalho.
Como o treinamento é uma parte vital no processo de comunicação para a mudança de comportamento dos trabalhadores, podemos afirmar que uma das responsabilidades profissionais em segurança é entender ao máximo como os adultos aprendem, assim como eles agem acerca dos aspectos técnicos da segurança.
UMA ESCALA PARA O APRENDIZADO
Todo o conhecimento técnico do mundo não serve para nada se nós não pudermos nos comunicar com os trabalhadores e fazer com que eles, assim como os supervisores, valorizem a segurança. Infelizmente, muitos profissionais de segurança, embora bem treinados em aspectos técnicos da área, não estão preparados para fornecer não apenas treinamento, mas otimizar o treinamento. Felizmente, existem teóricos do aprendizado que entendem como multiplicar esta informação. Um desses teóricos é o Dr. Benjamim Bloom. A chamada “Classificação de Bloom” pode ser tornar uma ferramenta valiosa em ajudar como entender a forma como adultos aprendem e assim otimizar seu programa de treinamento.
Geralmente as pessoas responsáveis por treinamento não sabem como os adultos aprendem, inclusive nas próprias universidade. É comum saber-se que existem professores brilhantes mas que não sabem comunicar o conhecimento aos alunos. Conta-se que um Juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos declarou em uma decisão que não sabia como definir pornografia mas saberia o que era quando visse. Infelizmente, muitos técnicos de segurança estão na mesma situação, eles não sabem o que faz um bom treinamento mas sabem identificá-lo quando eles o virem, embora não entendendo como chegar ali quando forem responsáveis pela instrução.
NÃO ADIANTA SÓ FALAR
Algumas pessoas acham que ensinar é só falar e isso pode não ser muito difícil. Infelizmente, isto é mais ou menos como pessoas que acreditam que segurança não é uma disciplina de fato, afinal, segurança é justamente o “bom senso”. Talvez ensinar é só falar, mas um ensino efetivo é alguma coisa como uma arte, assim como praticar segurança.
A CLASSIFICAÇÃO DO PROF. BLOOM
Uma das teorias chaves em aprendizado do adulto é atribuído ao Dr. Bloom (1956). Ele desenvolveu um sistema para o aprendizado do adulto, chamado de Classificação de Bloom. Entender esta classificação irá ajudar os profissionais de segurança em treinamento na compreensão de como adultos aprendem e, como resultado, entender melhor como se tornarem bons treinadores ou professores.
Bloom explica que o aprendizado divide-se em 3 diferentes domínios:
1. o o primeiro é o aprendizado psicomotor; este tipo de aprendizado significa “ação e movimento”; um exemplo deste tipo de aprendizado é encontrado em jardins de infancia, quando crianças atravessam uma corda suspensa para ajudá-los a desenvolver coordenação. Outro exemplo – crianças nadando no chão sob um cobertor, brincando de simular uma fuga; um exemplo em adultos pode ser visto em um treinamento de emergencia, quando os trabalhadores são treinados para utilizar um determinado EPI quando soa um alarme. O conceito de ver uma ação e praticar uma ação e depois executar a ação sob os olhos de um instrutor é uma parte importante do aprendizado psicomotor;
2. Um outro tipo de aprendizagem é o aprendizado afetivo. Aprendizado afetivo envolve os valores e atitudes dos trabalhadores; um exemplo na infancia é quando o professor trabalha com as crianças como respeitar os outros e não interromper as pessoas; um excelente exemplo adulto em segurança é como, em uma empresa como um avançada cultura de segurança, os trabalhadores não usam EPI apenas no trabalho – eles o utilizam também fora do trabalho, inclusive em trabalhos domésticos.
3. O terceiro nível da Classificação de Bloom é o aprendizado cognitivo. Este tipo de aprendizado envolve fatos, regras, princípios e procedimentos. Aprendizado cognitivo ocorre em escolas de ensino fundamental, de ensino médio e tambem no trabalho. Este tipo de aprendizado cognitivo desdobra-se em seis etapas progressivas. À medida que o aprendizado progride, um alto nível de aprendizado vai ocorrendo. Vamos observar que o propósito do seu treinamento deve ser conseguir que o aprendizado suba de nível o mais alto possível a fim de maximizar o treinamento e, consequentemente, a efetividade da segurança.
NIVEIS DE APRENDIZAGEM COGNITIVA
CONHECIMENTO – COMPREENSÃO – APLICAÇÃO
O primeiro nível no aprendizado cognitivo de Bloom é CONHECIMENTO. Isto consiste no mais básico e envolve simplesmente conhecer. Saber como colocar um rótulo em um container de um produto químico, saber como ligar ou desligar um dispositivo, são alguns exemplos. Conhecimento é tarefa básica e requer que o trabalhador veja a tarefa, pratique a tarefa e em seguida realize a tarefa com a ajuda do treinador. É aqui que muitos programas de treinamento falham, porque muitos gerentes e supervisores não entendem que as pessoas tem vontade própria. Simplesmente colocar o problema e apenas dizer aos trabalhadores dando-lhes a informação básica é algo certamente próximo da mediocridade, se não uma absoluta falha.
Um bom treinamento para adultos requer que o supervisor não apenas saiba o que, mas porque. Pense nisso. Você como indivíduo faz melhor quando simplesmente sabe “o que” ou você entende melhor quando sabe “porque”?
Observe que crianças são simplesmente ensinadas sobre “o que” e, por respeitar os adultos, eles concordam com o “o que”. Quando eles crescem, eles querem saber “porque”. A criança que se torna adulta quer saber porque ela tem que fazer algo e porque é importante.
Será que o sistema de treinamento de sua empresa trata seus trabalhadores como crianças, esperando que eles simplesmente façam o que foi dito e para essencialmente calar a boca sobre aquilo?
Ou seja, será que a sua empresa espera que a mesma pessoa exerça um julgamento como um adulto quando ela é admitida?
Enquanto um trabalhador mais jovem poderá abertamente desafiar este tipo de aprendizado, os adultos, por sua vez, irão interpretar que esse comportamento rebelde irá levar a consequencias negativas no trabalho. Ou seja, eles simplesmente vão fazer o que eles foram mandados mas somente enquanto alguem estiver olhando. A empresa que fica na posição de esperar para ensinar a adultos como crianças e esperar que o tempo passe para que eles exerçam independencia no trabalho é ignorar complementamente a natureza humana e ao fazer assim estão criando uma situação de risco.
COMPREENSÃO
O aprendizado adulto necessita caminhar na direção da COMPREENSÃO, o segundo nível do aprendizado cognitivo de Bloom.
Ficar atento à lógica de que adultos devem entender porque eles estão fazendo alguma coisa – isto é o menor nível que o seu programa de treinamento deve partir na direção do aprendizado cognitivo.
Mesmo assim, este nível de aprendizagem, simplesmente sabendo “o que” e “porque” irá produzir ainda resultados medíocres. Isto ocorre porque, em nosso mundo complexo, trabalhadores geralmente tem de fazer decisões independentes e exercer julgamento.
APLICAÇÃO
O próximo nível é a APLICAÇÃO. Melhor do que apenas fazer uma tarefa (conhecimento) e entendê-la (compreensão), aplicação requer que o treinador esteja apto a aplicar o conhecimento em diferentes situações. Enquanto CONHECIMENTO requer que o treinador veja uma tarefa resolvida, em seguida praticar e executar a tarefa, APLICAÇÃO do aprendizado requer que o treinador aplique o conhecimento em circunstancias que podem ser diferentes da maneira como a tarefa foi aprendida.
Um exemplo simples que a média dos trabalhadores pode entender é sobre saída de emergencia. Ocorre quando o trabalhador é ensinado a sair por uma porta específica durante uma emergência (conhecimento) e sabe que ele pode morrer se ele falhar em sair quando o alarme soar (compreensão). A aplicação requer que o trabalhador, sem treinamento posterior, possa ir para uma outra porta que deve ser a primeira porta a ser trancada. Saída de emergencia é uma aplicação simples mas ela é a etapa que separa o simples e médio treinamento para um treinamento padrão. Certamente, a média de trabalhadores terá o bom senso de utilizar corretamente a primeira saída de emergência a ser fechada. Entretanto, será que o trabalhador médio saberá o que fazer em um cenário mais complexo, como acabar entrando em um espaço confinado potencialmente perigoso, que pode abrigar uma variedade de diferentes riscos?
ANALISE
O próximo passo no processo de aprendizagem cognitiva é ANÁLISE, no qual o treinador pode separar uma parte do sistema de outro com o objetivo de observar padrões e diagnosticar problemas potenciais.
Por exemplo, um trabalhador da manutenção é treinado em desligar uma máquina e sabe que se falhar em fechar o sistema, pode resultar em que alguem ligue a máquina sem saber que o sistema fechou (compreensão). Digamos que a chave do trabalhador se perdeu, e assim ele terá que pegar outra (aplicação). Entretanto, análise requer que o trabalhador analise a situação vá uma etapa adiante, observando padrões.
Quando o trabalhador analisa a situação ele se dá conta de que outro botão de desligamento pode não ser seguro, entendendo que a chave pode ser outra; isto pode resultar em que, estando a chave sendo desligada, embora ele tenha fechado o sistema, alguem pode ainda continuar em situação de risco.
Enquanto um trabalhador com conhecimento não sabe, um trabalhador com compreensão sabe, mas apenas aquilo relacionado à situação específica, não a situação como um todo. Um trabalhador com aplicação não sabe sobre a situação como um todo, enquanto um trabalhador com análise irá ver toda a situação de risco. Neste ponto o trabalhador pode começar a agir como um adulto em relação à segurança; ele não precisa de um profissional de segurança ou supervisor para servir de “babá” para ele a cada minuto, mas pode começar tomando iniciativa e adotar decisões com responsabilidade para a sua própria segurança.
O trabalhador ainda precisa de profissionais de segurança para ajudá-lo em análises de risco mais avançadas, lado a lado com informações atualizadas sobre causas de acidentes e prevenção, assim como desenvolvimento em saúde ocupacional.
SÍNTESE
A Quinta etapa neste processo é SINTESE. Neste nível, o trabalhador estará apto a desdobrar todo o sistema em partes individuais e reconstuir o sistema para formar um ainda melhor. É neste nivel onde trabalhadores podem ser indispensáveis em ajudar a desenvolver um sistema de segurança.
Por exemplo, é seguro afirmar que a média dos profissionais de segurança não tem conhecimento que a média de eletricitários tem. O eletricitário tem o conhecimento técnico, embora possivelmente falte a ele o conhecimento de segurança para fazer o sistema trabalhar dentro do padrão. O profissional de segurança tem o conhecimento geral mas falta-lhe informações acerca de detalhes técnicos que o eletricitário tem dos aspectos operacionais do dia a dia. Entretanto, quanto você coloca as habilidades do eletricitário e de um profissional de segurança juntos, e quando eles podem se comunicar um com o outro, uma grande sinergia ocorre, onde o total das partes é bem maior que os elementos individuais.
Quando isto ocorre, o programa de segurança evolue para um nível mais avançado assim como o profissional de segurança está apto a lidar com problemas de segurança que ele jamais havia pensado antes, na ausencia das informações trazidas por um eletricitário treinado. Entretanto, isto é o papel do supervisor de segurança, não do eletricista, fazer com que a sinergia ocorra através da linguagem do eletricitário.
AVALIAÇÃO
A etapa final da Classificação de Bloom é avaliação. Quando o trabalhador atinge este estágio, ele estará apto a julgar a efetividade do programa no ambiente do dia-a-dia, incluindo emergências. Estará tambem apto a se tornar um grande recurso para a segurança que poderá auxiliá-lo como um parceiro a fim de verificar como um programa de segurança pode interagir um com o outro. O conflito entre o fechamento de portas para a segurança de um prédio e a abertura delas para uma saída de emergência serve como um bom exemplo.
1.bp.blogspot.com
ATINGINDO O NÍVEL DE EXCELÊNCIA
O valor da Classificação de Bloom do domínio cognitivo para o seu sistema de segurança é melhor entendido quando associado ao entendimento sobre o significado do domínio afetivo. Existem 4 níveis do domínio afetivo que influencia valores: O primeiro é atenção. Neste estágio, o trabalhador simplesmente sabe o valor de uma ação, como por exemplo trabalhar com segurança, mas não necessariamente vai seguir este princípio. Em contraste com o primeiro exemplo, o segundo nível é reforço. Nesta fase, o trabalhador sabe o valor de uma ação, mas vai segui-lo somente quando houver reforços positivos, como um programa de incentivo ou de mecanismos de reforço negativo, como ser chamado a atenção por violação de regras. Assim, o trabalhador responde a esses reforços, não porque ele acredite que segurança é um valor essencial. O terceiro nível é promoção, quando o programa de segurança começa a decolar. Neste fase, o trabalhador acredita em segurança, segue as regras sem estímulos e encoraja os demais a fazer o mesmo. Antes dessa fase ocorrer, o trabalhador deve valorizar a segurança e porisso ele deve entender porque.
O nível final é defesa, quando o trabalhador acredita em segurança de forma efetiva, ele não vai apenas atuar com segurança sem qualquer motivação ou punição e não apenas vai encorajar outros para seguir os procedimentos de segurança, mas tambem irá ativamente defender o conceito geral de segurança ou um programa específico quando diante de críticas. Profissionais de segurança devem estar na fase de “defesa” em seu dia-a-dia.
Um exemplo perfeito das duas partes da Classificação de Bloom, a cognitiva e a a afetiva, é ter uma experiencia em segurança com uma sólida formação cultural na área. Por exemplo, fora do trabalho, você usaria EPI quando estivesse fazendo algum trabalho em casa, não apenas por algum reforço, positivo ou negativo, mas porque realmente acredita no valor da segurança? Você usa cinto de segurança porque tem medo do guarda de trânsito ou porque você sabe bem o que pode acontecer se você se envolver em algum acidente e não estiver como o cinto? Você conserva bem um extintor de incêndio? Você ensina a seus filhos essas coisas e encoraja seu esposo ou esposa para fazer o mesmo?
Dr. Bloom nunca reinvindicou que sabia alguma coisa sobre segurança. Entretanto, suas observações em aprendizado do adulto, da maneira como aprendemos e da forma como valorizamos alguma coisa como segurança é uma importante lição nestes tempos em que lutamos para fazer o local de trabalho um lugar mais seguro.
Tradução livre: Prof. Samuel Gueiros, Med Trab, Coord NRFACIL
(certificação em Inglês para uso acadêmico pela Universidade de Leeds, Inglaterra)
Obs.: passe o mouse para ver o crédito das imagens
Postado 2 months, 3 weeks antes às 01:48. 3 comentários
Gabriel, de 15 anos, filho de um dos integrantes da equipe NRFACIL, mostrou ao pessoal do site a Revista Tio Patinhas no.530, com uma tira intitulada “segurança no trabalho”.
Chamou a atenção da equipe NRFACIL a existência de um revista infantil que aborda o tema. Sem dúvida que isto terá um efeito informativo para as crianças e adolescentes que leram a revista; nessa tira, aparecem personagens típicos da cena em que cotidianamente os profissionais se deparam: o empresário inescrupuloso, o trabalhador sem proteção, o fiscal do Ministério, as desculpas para não usar EPI, excesso de jornada, obras cheias de riscos, acidentes de trabalho, tudo isso abordado com o bom humor das revistas da Disney quando se trata do Pato Donald e Tio Patinhas. Embora as tragédias dos ambientes de trabalho não tenham qualquer graça no mundo real, a história dos quadrinhos mantem o interesse da leitura infantil e certamente influência subliminar para o conhecimento e conscientização daqueles problemas. Tivemos a idéia de publicar a tira, como um contraponto a um assunto formal como é a questão da segurança no trabalho abordada por profissionais. A Editora Abril (Disney), através do Atendimento ao Leitor (Luciana Gomes) foi contactada e autorizou a publicação da tira no Blog NRFACIL, desde que com os créditos devidos, que vai reproduzida abaixo:
USE AS SETAS NO RODAPÉ DO QUADRINHO PARA AVANÇAR OU VOLTAR
Adaptação Flash Player: Laurison Silva Tec Info NRFACIL
Treinamento e supervisão inadequada de dois jovens trabalhadores no seu primeiro dia de trabalho causaram sérias lesões e poderiam tê-los matado.
A empresa (de galvanizados) e o seu Diretor foram considerados culpados e receberam uma multa de 200 mil reais por um Juiz do Trabalho.
A Justiça considerou que os jovens de 20 e 17 anos sofreram acidentes graves – o primeiro, sofreu o impacto de uma placa de metal na sua cabeça quando uma viga de janela desabou.
O Juiz disse que os dois não foram treinados e nem supervisionados apropriadamente, e a estrutura que suportava a viga era instável. “A falta de compreensão sobre a clareza do risco e a possibilidade de evitá-lo contribuiram para a seriedade do acidente. Considerados o peso e a altura da viga, as lesões poderiam ser bem piores, até fatal”, considerou o Juiz.
O Juiz afirmou que a empresa escapou de receber uma penalidade máxima de 1.000.000,00 de reais e mais 100 mil reais para cada diretor devido ao fato de que eles não tinham ainda qualquer pendencia na Justiça do Trabalho, além do que eles alegaram culpa e a empresa resolveu adotar as medidas legais de segurança. Ao tempo do acidente, a empresa contratou um técnico de segurança para revisar seus procedimentos de segurança.
Entre as medidas exigidas pela Justiça incluiram-se uma atualização completa do sistema de gerenciamento de risco de acordo com a legislação, a adoção de medidas claras sobre segurança no trabalho, uma auditoria sobre as contratações e ainda um sistema de supervisão no qual novos e inexperientes trabalhadores sejam supervisionados por um grupo de trabalhadores experientes.
O artigo acima (tradução livre), publicado no site Occupational Health News mostra uma situação, que embora tenha ocorrido na Austrália, evidencia claramente como os acidentes e negligência ocorrem em todos os países e com variáveis semelhantes, porém a maneira de enfrentá-los é bem diferente.
Todo o cenário de um acidente típico está ali presente: o contrato de trabalhadores sem treinamento e supervisão; a falta de epi, a ausencia de técnico de segurança, a falta de medidas claras sobre segurança no trabalho; e ainda, a constatação de que o risco era previsível e evitável, mas o acidente acabou ocorrendo.
A diferença é que, em outros países o custo da infração é altissimo. A empresa escapou de pagar 1 milhão de reais, considerada a pena máxima e 100 mil para cada diretor. E a principal razão que suscitou o não pagamento da pena máxima eram a ausência de pendências na Justiça do Trabalho e o fato de que os diretores confessaram a culpa, o que é um fator atenuante na Justiça daquele país.
A situação nos mostra que o foco no custo fiscal onerando os responsáveis pelos acidentes de trabalho é a saída para o combate à impunidade e ao aumento dos índices de doenças e acidentes.
Em nosso país, talvez o atenuante não funcionasse, pois muitos acidentes na verdade constituem reincidencias. Quantas placas de sinalização sobre estatísticas de acidentes já foram colocadas e renovadas em tantas empresas? Qual seria a estatísticas de CATs por empresa no Brasil? esse tema seria interessante em estudo para avaliar a reincidência de acidentes em empresas. Conclue-se que o FAP (fator acidentário previdenciário) ainda é uma medida muito singela comparada a uma multa de 100 mil reais para diretores de empresas responsáveis pelos acidentes.
É bem verdade que no Brasil atualmente muitos juizes solicitam os Relatórios do PCMSO, do PPRA e PCMAT antes de tomarem decisões e isso mostra a importancia da legislação contida nas Normas Regulamentadoras em Segurança e Medicina do Trabalho – as NRs.
O QUE É RESPONSÁVEL PELO AUMENTO DE
ACIDENTES EM TRABALHADORES JOVENS?
Alguns estudos mostram que o índice de acidentes é maior em jovens trabalhadores, especialmente homens. Os índices são geralmente maiores em adolescentes do que em jovens adultos. Um estudo examinou o papel de outros fatores, além da idade.
Trabalhadores de 15 a 64 anos que trabalharam nos últimos 12 meses foram selecionados ao acaso de um levantamento sobre saúde comunitária.
56.510 registros satisfizeram o critério do estudo, sobre informação e tipo de trabalho, horas trabalhadas e o grau de atividade física no trabalho. Os grupos de idade eram de 15-19 (adolescentes), 20-24 (jovens adultos), 25-35 e mais de 35.
Adolescentes e jovens adultos vinculavam-se a vendas e serviços gerais e registravam mais atividade física do que os trabalhadores adultos. Eles relataram mais acidentes traumáticos (cortes, queimaduras) do que os trabalhadores adultos, que relatavam mais distensões e luxações.
O risco de acidente foi maior em trabalhos externos e naqueles onde é maior a atividade física. Os números: 1) 25-34 anos, 1.27; 20-24, 1.59; 15-19 anos , 1.43.
Nas mulheres, o risco aumenta no grupo de 20-24 anos, mas no grupo das mulheres adolescentes não houve aumento do risco.
Diferenças evidentes sobre o tipo de trabalho desenvolvido por jovens adolescentes constitue um importante papel no aumento do risco no grupo de jovens trabalhadores. Eles são maioria em pequenas empresas onde as normas de segurança são pouco aplicadas e a ausencia de treinamento pode contribuir com algum risco residual, bem como inadequações entre adolescentes e os equipamentos que eles usam.
(Tradução livre de um resumo do trabalho de Breslin FC, Smith P. Age-related differences in work injuries: a multivariate, population-based study. American Journal of Industrial Medicine 2005; 48:50-56 – Occupational health news site).
A SITUAÇÃO NO BRASIL:
PESQUISA DENUNCIA MÁS CONDIÇÕES DE TRABALHO EM ADOLESCENTES
Pesquisa realizada pelo Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP sob coordenação da professora Frida Marina Fischer, revela as más condições de trabalho a que jovens de 10 a 19 anos estão submetidos. O estudo, intitulado “O trabalho dos adolescentes e repercussões à saúde”, buscou detectar e avaliar os problemas de saúde do adolescente associados ao trabalho.
Verificou-se que, dos 781 jovens pesquisados, 604 trabalham. As principais áreas de trabalho eram: a agrícola (plantio e colheita de frutos e flores, cuidados com gado, produção de leite e derivados), a indústria de tijolos (olarias e blocos), o comércio (lojas, supermercados, bares, padarias) e o lazer. “Os adolescentes praticam atividades, especialmente as que exigem grandes esforços físicos, que não os levam a aprender uma profissão. Eles mesmos não vêem boas perspectivas em relação ao seu futuro”, comenta a professora.
A imensa maioria dos entrevistados não possui carteira profissional, ou seja, não é registrado como trabalhador; 47% deles já sofreu algum tipo de acidente de trabalho, sendo alguns bastante graves”, contabiliza a professora. “Por exemplo, de dez adolescentes que trabalhavam como oleiros, apenas dois ainda não haviam se machucado no atual trabalho. Sabemos que a ocorrência de acidentes considerados graves é maior entre os adolescentes do que entre os adultos. Os jovens não sabem se proteger dos riscos no trabalho, não se negam a trabalhar em condições inseguras e não denunciam as más condições de trabalho por medo de perder o “emprego”, comenta Frida. Além disso, citaram haver com freqüência irregularidades no pagamento, na duração das jornadas de trabalho e nas folgas.
“Quando depende da produção, para não parar o trabalho, os riscos aumentam. Trabalhei em um navio de contêineres no qual em certo momento faltou energia elétrica, ficou muito escuro. Mesmo assim, a operação continuou porque é desse segmento que obtemos mais de 60% dos nossos ganhos. Eu mesmo cai no espaço entre dois contêineres”, conta um estivador.
O PROBLEMA
Uma das áreas em que o acidente de trabalho assume complexidade cada vez crescente é na área portuária. Aqui, podem-se extrair lições para entender acidentes de trabalho em diversas outras situações, como na construção civil, agricultura e mineração, por exemplo.
O binômio forma de contratação x ambiente de trabalho parece constituir a primeira cadeia de risco. Pela forma de contratação, a busca do ganho por produção, que se acrescenta ao salário básico, leva os trabalhadores a atuarem com maior esforço e mesmo com maior insegurança, associado aos componentes de precarização dos equipamentos, das proteções e da baixa qualificação. Existem conflitos entre os trabalhadores avulsos e os contratados; alguns OGMOS são acusados de corrupção e ineficiência. As principais irregularidades no ambiente de trabalho estão ligados a iluminação, equipamentos velhos e sucateados, lingas com defeitos e sem inspeção periódica, empilhadeiras, guindastes e navios em péssimos estados de conservação.
ESTATÍSTICAS
No Porto de Santos os operários de menor nível de escolaridade são as maiores vítimas de acidentes no trabalho. Em 2008, o Ogmo contabilizou 138 acidentes, dos quais 73 com afastamento do trabalho. Uma sucessão de acidentes fatais no porto, entre 2007 e 2008, com sete vítimas, levou as entidades portuárias a promoverem cursos com o foco em segurança. Em Vitória (ES) foram 177 acidentes, incluindo os de trajeto. E as apurações feitas a cada morte não têm resultado em maior segurança para os trabalhadores.
IMPORTÂNCIA DA NR-29
NR-29
TITULO
SEGURANÇA E SAÚDE
NO TRABALHO PORTUÁRIO
( 129.001-0)
RESUMO
Regular a proteção obrigatória contra acidentes e doenças profissionais, facilitar os primeiros socorros a acidentados e alcançar as melhores condições possíveis
de segurança e saúde aos trabalhadores portuários
IMPOSIÇÕES
Organizar um Serviço Especializado em Segurança e Saúde no
Trabalho Portuário (SESSTP), uma Cipa (CPATP) portuária, desenvolver Planos (PCE-Plano de Controle de Emergência, PAM-Plano de Ajuda Mútua), e os Programas das NR-7 (PCMSO) e NR-9 (PPRA) específicos do trabalho portuário
INFRAÇÕES
até 5.000 UFIR
(calculadas para empresas de médio porte - 50/100 trabalhadores)
Segundo especialistas, se a NR-29, que consolida a Convenção 137 da OIT, não tivesse sido implantada para tratar da segurança e saúde do trabalho dos portuários, a situação estaria muito mais difícil nos portos em todo o país. Para alguns técnicos da DRT, os acidentes poderiam ser evitados, não só pelo comportamento do trabalhador, mas pela condição da operação. Hoje, os portos operam um grande volume de cargas e a rotatividade de navios é elevada. A quantidade de trabalhadores também aumentou recentemente. Para a Fundacentro, o maior entrave na aplicação da Norma 29 continua sendo a forma de gestão da segurança na área portuária. As administrações dos portos estão voltadas para o embarque e desembarque no menor tempo possível, tornando o trabalho de alto risco.
ENTENDENDO A NR-29 E OS VÍNCULOS COM OUTRAS NRs
A NR-29 estabelece várias definições, considerando as áreas físicas e o pessoal envolvido no trabalho portuário, devendo ser consultado uma espécie de Glossário sobre as Definições aplicáveis ao trabalho portuário, publicado pelo Ministério do Trabalho (Publicação de 2001) que estará disponível para os usuários do NRFACIL. Na área de gestão, o OGMO (Órgão Gestor de Mão de Obra), que administra a mão de obra do trabalhador portuário avulso e as convenções e acordos coletivos de trabalho celebrados e encarregado; O OGMO, juntamente com qualquer outro empregador de mão de obra portuária, deve zelar pelas normas de segurança e saúde no trabalho.
Da mesma forma que nas NR-4 e 5, a NR-29 prevê o dimensionamento do pessoal técnico (SESSTP) e o dimensionamento da representação dos trabalhadores (CPATP), ambos encarregados da gestão de riscos no ambiente portuário (ver abaixo). Estão previstas instruções para a sinalização de segurança dos locais de trabalho portuário bem como sobre as condições sanitárias e de conforto (NR-24). É obrigatório um dispositivo de primeiros socorros. A NR-29 prevê tambem a observância de regras estritas nas operações com cargas perigosas, explosivos, gases inflamáveis, substâncias tóxicas e infectantes, incluindo material radioativo.
PLANO DE CONTROLE DE EMERGENCIA (PCE) E
PLANO DE AJUDA MÚTUA (PAM)
São Planos de Contingência para adoção de medidas internas ou em colaboração com órgãos externos (Bombeiros) no caso de situações de emergência, como incêndio e explosão, incluindo socorro a acidentados. Estes Planos estão em consonância com a Convenção OIT-174, a respeito de Acidentes Industriais Maiores. Assim, é necessária atualização científica e tecnológica para a implementação desses planos. Deve-se lembrar que a elaboração desses planos é obrigatória também em um processo de Licenciamento ambiental.
A CIPA (CPATP) E O SESMT (SESSTP) DA NR-29:
Após 12 anos de sua publicação, a NR-29 precisa ser bem conhecida por todos os que trabalham no ambiente portuário. A NR-29 prevê mecanismos de gestão para diminuir as causas de acidentes entre os trabalhadores. Uma delas é o SESSTP (O Sesmt da atividade portuária, cujo dimensionamento inclui, da mesma forma, Técnico, Médico, Engenheiro, etc.). O outro é o CPATP (o equivalente portuário da CIPA), que tem o objetivo de apontar os problemas e discutir soluções, e, principalmente, desenvolver programas de treinamento. Esses programas são apontados como a principal saída para o índice de acidentes de trabalhadores menos qualificados. Esta Cipa portuária deve tambem elaborar o Mapa de Risco.
Técnicos de Segurança acham que deve-se valorizar mais a CPATP, como campo legal de encaminhamento de reivindicações em busca de melhorias para segurança do trabalho. A classe de trabalhadores tem que impor os limites de segurança que, na verdade, é atribuição do operador portuário. Se não estabelecerem estes limites e aceitarem qualquer tipo de condições de trabalho, os acidentes continuarão a acontecer. A NR-29 recomenda ainda a observância, pelo OGMO, dos dispositivos da NR-6 sobre EPI, bem como a obrigatoriedade de elaborar e implementar o PCMSO e PPRA (das NR-7 e NR-9).
PRESENTE E FUTURO DO
TRABALHO PORTUÁRIO
(portogente.com.br)
Um trabalhador escreve:
“O aumento da velocidade das operações, exigência cada vez maior, relacionadas ao porte cada vez maior dos navios, da demanda de cargas e da automação de processos implica em treinamento constante da mão de obra. A melhor preparação dos homens, com treinamento e da especialização crescente, é derivada da aplicação de recursos das empresas em profissionais dedicados aos seus equipamentos e procedimentos. É necessária a vinculação destes homens ás empresas como em todos os processos fabris e manufatureiros. Já existe escala para que os Terminais tenham pessoal dedicado aos trabalhos de terra e de bordo. Vinculação em emprego, dedicação de equipes especializadas, redução de pessoal empregado em cada operação e treinamento permanente são exigências da operação moderna. A fase de utilização de avulsos carregadores de sacos acabou , como acabaram os telegrafistas de bordo, os motorneiros de bonde e os saudosos acendedores de lampião a gás A evolução é inexorãvel.”
Para um técnico experiente:
“a questão de segurança nos Portos é assunto de EDUCAÇÃO E CULTURA, primeiramente dos Empresários usuários dos Portos e posteriormente TREINAMENTO. Assim como no processo escolar brasileiro (ensino básico e médio) é questão de Qualificação e Padronização do Professor, a QUALIDADE E SEGURANÇA NOS PORTOS é questão da falta de Qualidade e Padronização. Padronização e Qualidade - tem que iniciar no empresariado haja vista que os mesmos, em nosso país optam pelo barato e o barato não tem qualificação e muito menos padronização; o resultado é esta calamidade que vemos todos os dias. Sou executivo de projetos de logística, com cursos e trabalhos especiais no assunto, no Porto de Barcelona ES.”
Outro trabalhador declara:
“A questão da saúde e segurança no trabalho pórtuário tinha que ser levada a sério, como acontece em portos europeus onde se for comprovada a responsabilidade do operador portuário, é feito um processo judicial e põe os responsáveis pelo acidente na cadeia, além de pagar indenizações. No Brasil a coisa parecia que iria melhorar com a implantação da NR 29, porém o que vemos é o descaso com a saúde e segurança no ambiente de trabalho portuário. Os acidentes continuam acontecendo com multilações e mortes e ninguem é responsabilizado. Temos que exigir o cumprimento da norma regulamentadora e banir dos portos quem não se enquadrar.
Samuel Gueiros, Med Trab/Jean Carlos N Souza, TST, Consultores NRFACIL
consulte uma monografia sobre Direito do Trabalho Portuário em uma coluna do Blog à esquerda.
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Postado 9 months, 4 weeks antes às 00:30. 5 comentários
70% dos acidentes industriais são decorrentes do stress: falta de atenção, cansaço, desmotivação. Segundo um Estudo, 40% das pessoas pedem demissão ou são demitidas porque estão estressadas com o trabalho. Além disso, uma rotatividade elevada de pessoal acarreta custos para as organizações em torno de 5 a 30 mil reais para um funcionário de nível médio (dados baseados em projeções da Soc. Americana do Stress). O problema custa às indústrias dos Estados Unidos cerca de US$ 300 bilhões por ano.
Um dos fatores stressantes relatados pelos trabalhadores é o uso do próprio EPI (“o epi atrapalha”, “incomoda”, “dá dor de cabeça”, “incham os pés”, “dá cãimbra”, “eu não preciso de epi, já estou acostumado sem ele”, são frases ouvidas de trabalhadores). Assim, é preciso reduzir não só o stress produzido pelo trabalho mas pelo próprio uso do EPI.
O PROBLEMA COMEÇA NA ADMISSÃO
Um dos incidentes de trabalho mais comuns na admissão de um trabalhador é verificar que ele não está acostumado a usar o EPI indicado para a sua tarefa. Se ele é qualificado e a empresa precisa do seus serviços, aumenta o dilema do técnico encarregado de sua admissão. Esta situação vai se tornando crítica na medida em que trabalhadores qualificados são escassos no mercado de trabalho mas muitos deles são egressos de empresas com baixo nível de cultura em segurança. Quando ele é obrigado a utilizar o EPI, introduz-se um fator extra de stress que é preciso ser avaliado pelos Técnicos antes que ele inicie as suas atividades.
Para minimizar este fator, deve-se buscar não somente o redimensionamento do posto de trabalho para reduzir no que for possível o uso do EPI, mas tambem introduzir um programa de treinamento mais longo com este trabalhador. Este treinamento é fator fundamental para reduzir o stress do EPI e deve ser feito em conjunto com outro trabalhador mais experiente. Por mais paradoxal que pareça, este trabalhador vai precisar de mais pausas no trabalho, sendo necessário uma maior vigilância de suas atividades nos períodos críticos do turno de trabalho (principalmente as 2 primeiras horas e as 2 ultimas horas do turno, ocasião em que é maior o risco de acidentes, cf vários trab. publicados). Sem treinamento e monitoramento, as chances de o trabalhador deixar de utilizar o EPI aumentam de forma significativa.
TRABALHO E STRESS
Um Estudo levantou que, no aspecto psicológico, a primeira reclamação do trabalhadores sobre os fatores que interferem no seu trabalho, é o stress, seguido de alcoolismo, uso de drogas, relacionamento conjugal e familiar, depressão e baixa auto-estima.
Esta preocupação com o stress é fundamental para as empresas, visto que o desempenho corporativo está intimamente ligado à disponibilidade física, emocional e mental de seus funcionários para levarem adiante os projetos e metas que lhe são propostos. Essa disposição, por sua vez, está associada ao nível de stress, auto-estima e qualidade de vida que esses profissionais possuem. Reduzir o stress no trabalho com o EPI torna-se uma medida essencial nos programas de segurança nos ambientes de trabalho.
TECNOLOGIA ERGONÔMICA E EPI
Com a moderna tecnologia ergonômica (ergodesign), o posto de trabalho não envolve mais apenas o homem e seu local de trabalho, mas inclui tudo aquilo que o trabalhador necessita para realizar suas tarefas: máquinas, ferramentas, equipamentos, mobiliário, software, sistemas de proteção de segurança, EPIS e o próprio sistema de produção. Assim, tornou-se inevitável os vínculos entre EPI e ERGONOMIA.
Atualmente, prioriza-se o enfoque ergonômico global, onde o posto de trabalho é considerado um prolongamento do corpo e da mente humana, pois trata além dos fatores físicos do posto de trabalho, os aspectos cognitivos, bem como, as relações pessoais e motivacionais no ambiente de trabalho. O enfoque ergonômico global é aplicado na concepção e / ou adaptação de postos de trabalho e/ou ambientes de trabalho informatizados e automatizados em ambientes industriais e administrativos.
A ISO 18.000 que trata de Saúde e Segurança considera o projeto ergonômico como o foto central sobre a questão do posto de trabaho e isso inclui tambem a concepção de EPIs.
EXIGÊNCIAS DA NR-6 (EPI)
6.3.
A empresa é obrigada a fornecer aos empregados, gratuitamente, EPI adequado ao risco, em perfeito estado de conservação e funcionamento, nas seguintes circunstâncias:
a) sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção contra os riscos de acidentes do trabalho ou de doenças profissionais e do trabalho;
b) enquanto as medidas de proteção coletiva estiverem sendo implantadas; e,
c) para atender a situações de emergência.
EXIGÊNCIAS DA NR-17 (ERGONOMIA)
17.6.1.
A organização do trabalho deve ser adequada às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado.
17.6.2.
A organização do trabalho, para efeito desta NR, deve levar em consideração, no mínimo:
a) as normas de produção;
b) o modo operatório;
c) a exigência de tempo;
d) a determinação do conteúdo de tempo;
e) o ritmo de trabalho;
f) o conteúdo das tarefas.
17.6.3.
Nas atividades que exijam sobrecarga muscular estática ou dinâmica do pescoço, ombros, dorso e membros superiores e inferiores, e a partir da análise ergonômica do trabalho, deve ser observado o seguinte:
a) todo e qualquer sistema de avaliação de desempenho para efeito de remuneração e vantagens de qualquer espécie deve levar em consideração as repercussões sobre a saúde dos trabalhadores;
b) devem ser incluídas pausas para descanso;
c) quando do retorno do trabalho, após qualquer tipo de afastamento igual ou superior a 15 (quinze) dias, a exigência de produção deverá permitir um retorno gradativo aos níveis de produção vigentes na época anterior ao afastamento.
textos digitais (www.nrfacil.com.br)
Ou seja, o EPI deve ser visto sempre como medida complementar aos dispositivos de proteção coletiva. Na prática, a maioria das empresas industriais não investe na proteção coletiva (que muitas vezes requer um investimento maior) e a proteção individual torna-se a única e última medida de proteção nos ambientes de trabalho. Além disso, como o EPI requer treino para o seu uso, geralmente os trabalhadores acostumados a trabalhar sem ele, relutam em realizá-lo.
O PROJETO ERGONÔMICO:
MINIMIZANDO O STRESS NO TRABALHO
Os vínculos entre a proteção e a tecnologia ergonômica se estreitam cada vez mais, visto que o trabalhador é muito mais protegido quando as condições de trabalho sejam as mais favoráveis possíveis, tanto em termos de estrutura, funcionamento, mas tambem de conforto e motivação; em trabalho publicado na Internet, apresenta-se os tipos e abrangência dos projetos tanto no seu enfoque ergonômico tradicional, quanto no seu enfoque ergonômico global (Prof. M.Sc. Carlos Maurício Duque dos Santos) www.dcaergonomia.com.br:
PROJETO ERGONÔMICO DE POSTOS DE TRABALHO TRADICIONAIS
nos postos de trabalho tradicionais considera-se apenas os aspectos antropométricos (dimensões adequadas aos usuários de uma determinada faixa de estatura) e os aspectos biomecânicos ( posturas, movimentos corporais, esforços físicos, alcances visuais, etc.).
PROJETO ERGONÔMICO DE POSTO DE TRABALHO GLOBAL:
nos postos de trabalho informatizados e automatizados considera-se, além dos aspectos antropométricos e biomecânicos, os aspectos psicológicos e cognitivos no trabalho, bem como os aspectos operacionais (métodos e processos de produção, softwares, etc.), os aspectos organizacionais (normas de produção, horários, pausas, etc.) e ainda os aspectos ambientais ( iluminação, ruído, temperatura, ventilação, qualidade do ar, e etc. ). O enfoque ergonômico global funciona como um processo de engenharia simultânea para desenvolvimento do projeto ergonômico, onde tudo se integra e interage.
OBJETIVOS DO PROJETO ERGONÔMICO:
Qualquer que seja a abrangência e enfoque do projeto ergonômico do posto de trabalho, estes devem atingir os seguintes objetivos:
Adequar o posto de trabalho aos limites e capacidades do indivíduo (física, psicológica e cognitivamente).
Otimizar as condições de trabalho para conquistar eficácia, eficiência, produtividade e qualidade.
Proporcionar condições para desenvolvimento da criatividade e participatividade dos funcionários/colaboradores.
Evitar o erro humano, prevenir acidentes e doenças ocupacionais;
Proporcionar conforto, segurança, qualidade de vida, bem-estar e satisfação no trabalho.
OUTROS VÍNCULOS: EPI E INSALUBRIDADE
Existem, ainda vínculos entre EPI (NR-6) e INSALUBRIDADE (NR-15), neste caso quando é necessário realizar-se Perícias para verificar a conexão entre insalubridade e o uso do EPI. Nas perícias, é preciso caracterizar o tempo de exposição e o limite de tolerância a determinado risco pelo trabalhador, se o EPI utilizado consegue manter o risco dentro desses limites. Por exemplo, se o protetor auricular de fato protege o trabalhador para pressões sonoras dentro do limite de tolerância (pressão sonora de 85 decibéis) durante o turno de trabalho (tempo de exposição de 8 horas). O perito deve, tambem, checar todos os itens relacionados à empresa, da NR-6, para verificar a conformidade legal. E, finalmente, checar dentro da própria empresa como são distribuídos e utilizados os EPIs (frequencia, correção do uso, treinamento, adequação, conservação e higienização). A perícia é fundamental para se ajuizar dolo ou culpa de uma empresa em acidente de trabalho e as consequências jurídicas deste fato (veja Posts anteriores neste Blog sobre custo fiscal em SST). Samuel Gueiros, Med Trab, Coord NRFACIL
RELATO DE CASOS JUDICIAIS
CASO 1: EMPRESA QUE NÃO FORNECEU EPI DEVERÁ INDENIZAR TRABALHADOR ACIDENTADO
Publicado: quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região
A 9ª Turma do TRT-MG analisou o caso de um trabalhador que sofreu queimaduras graves em decorrência de acidente de trabalho por culpa da reclamada, que deixou de adotar medidas de segurança preventivas essenciais à execução do trabalho. Nesse contexto, decidiram os julgadores que o reclamante faz jus às indenizações por danos morais, materiais e estéticos.
Através da prova testemunhal, ficou demonstrado que o reclamante estava fazendo a limpeza de um aquecedor, quando a tampa se rompeu devido ao estouro de três parafusos. Então, o trabalhador ficou pendurado pelo andaime, com o líquido (que fervia a uma temperatura de 115 a 118°C) derramando sobre ele. O empregado sofreu queimaduras graves nos membros superiores, região dorsal e glútea, face e cabeça, que deixou cicatrizes e provocou redução da sua capacidade de trabalho. Segundo relatos das testemunhas, o reclamante não estava usando, no momento do acidente, o conjunto de PVC, equipamento de proteção individual obrigatório, específico para a limpeza dos aquecedores. Depois do ocorrido, a reclamada adotou medidas de proteção capazes de minimizar os efeitos desse tipo de acidente, como a instalação de chapas laterais no andaime.
O relator do recurso, desembargador Ricardo Antônio Mohallem, frisou que o acidente do reclamante era previsível, tanto que havia ordem de serviço determinando a utilização do conjunto de PVC. Apesar disso, o trabalhador declarou, em audiência, que desconhecia esse equipamento. Portanto, diante da comprovação da negligência patronal em relação à segurança do trabalho, a Turma confirmou a decisão de 1º grau que deferiu indenizações por danos morais e estéticos em favor do reclamante, além de pensão de R$ 132,00 mensais, até que ele complete 72,6 anos.
RO nº 00997-2008-041-03-00-2
CASO 2: ACIDENTE DE TRABALHO: RESPONSABILIDADE DA EMPRESA DEPENDE DA SITUAÇÃO DE RISCO
Publicado: quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Tribunal Superior do Trabalho
A responsabilidade objetiva com base no risco da atividade, conforme definido pelo artigo 927 do Código Civil, existe apenas quando o trabalho desenvolvido causar ao empregado ônus maior do que aos demais membros da coletividade. Esse entendimento fundamentou a decisão da Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho, ao reformar acórdão regional que manteve sentença condenatória por danos morais à viúva de um trabalhador que fa-leceu no exercício de suas atividades.
Ele trabalhava como vigilante de escolta armada para a empresa Protection Sistemas de Vigilância, realizando viagens semanais em todo o país assegurando a integridade de veículos de carga até o destino. A condução do veículo usado no trabalho era revezada entre dois vigilantes, e estes somente poderiam parar para dormir quando o motorista do caminhão vigiado parasse para descansar. No retorno de uma viagem a serviço, na altura do Km 323 da BR-101, o veículo que continha dois vigilantes saiu da pista e chocou-se contra uma árvore, causando a morte de um deles.
A viúva do empregado entrou com ação trabalhista, buscando da-nos morais e materiais. Alegou imprudência da empresa, por sub-meter seus empregados a desgaste físico e mental de jornada ininterrupta – fator que poderia ter contribuído com o acidente. A decisão da primeira instância foi favorável à autora da ação, con-denando a empresa ao pagamento de danos morais pelo fato do acidente ter ocorrido no contexto da jornada de trabalho.
O Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (ES), ao analisar recurso da empresa, destacou que a condenação por danos morais encontrava amparo na teoria da responsabilidade objetiva, consubstanciada nos artigos 932 e 933 do Código Civil, além de que teria sido demonstrado o dano e o nexo causal no acidente de trabalho, destacando que o dever de reparar não depende de dolo ou culpa da empresa.
Ao avaliar a questão, em recurso de revista da empresa, a relatora, juíza convocada Doralice Novaes, manifestou entendimento diferente, observando que, para existir o dever de reparar, deve-ser verificar, além do dano e nexo causal, pressupostos como a ação, omissão, culpa ou dolo do causador, requisitos não confirmados nos autos do processo. Após ressaltar que o ordenamento jurídico abriga tão somente a responsabilidade subjetiva, derivada da culpa e do dolo do agente da lesão, a relatora citou decisões do TST em casos análogos com esse mesmo entendimento. E destacou que a responsabilidade objetiva, pelo risco da atividade exercida que põe em risco direito alheio, conforme estipula o artigo 927 do Código Civil, não poderia ser aplicada ao acidente envolvendo o vigilante, no caso em questão. “Não estava ele, portanto, no momento do acidente, em situação de risco superior a qualquer outro cidadão” concluiu. (RR-555/2005-012-17-00.1).
NR-06
TITULO
EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL – EPI
(206.000-0)
RESUMO
Estabelece parâmetros para o dimensionamento, fabricação,
importação, cadastramento, uso, restauração e treinamento
dos equipamentos de proteção individual e específicos
aos riscos nos ambientes de trabalho (lista de EPIs)
IMPOSIÇÕES
Obrigatoriedade de aposição do CA (Certificado
de Aprovação), fornecimento, treinamento, e para
uso e reposição dos EPIs por parte da empresa
INFRAÇÕES
até 6.000 UFIR
(calculadas para empresas de médio porte - 50/100 trabalhadores)
NR-15
TITULO
ATIVIDADES E OPERAÇÕES INSALUBRES
(115.000-6)
RESUMO
Classificação pericial das atividades cujo tempo de exposição e
limite de tolerância ao risco caracterizam situações suscetíveis de
desenvolver doença ocupacional
IMPOSIÇÕES
Obrigatoriedade de levantar os riscos nos ambientes de trabalho,
qualitativa ou quantitativamente, utilizando instrumental técnico específico
e de pagamento de adicional de insalubridade aos trabalhadores
de forma temporária ou contínua,de acordo com o resultado da Perícia
INFRAÇÕES
até 6.000 UFIR
(calculadas para empresas de médio porte - 50/100 trabalhadores)
NR-17
TITULO
ERGONOMIA
(117.000-7)
RESUMO
Parâmetros para a adaptação das condições de trabalho
às características psicofisiológicas dos trabalhadores
IMPOSIÇÕES
Realização de Análise Ergonômica para a
prevenção de riscos nos ambientes de trabalho
INFRAÇÕES
até 5.000 UFIR
(calculadas para empresas de médio porte - 50/100 trabalhadores)
acesse o texto completo das NRs 6, 15 e 17 e ainda, todas as NRs, no site www.nrfacil.com.br; conheça o software NRFACIL e tenha todas as NRs no seu computador, atualizadas de forma permanente (a exemplo de programas antivírus); software registrado no INPI;
créditos imagens: deslize o mouse na foto para obter os créditos; clips do microsoft media gallery (usuário registrado)
Com proteção adicional em todas as área de impacto, resinas altamente resistentes e tecnologia de ponta, o capacete do piloto limitou os ferimentos.
Acidente F-1 Felipe Massa
Felipe Massa, já um ídolo nacional, é um trabalhador como qualquer outro, a diferença é que ele está em um emprego milionário. Mesmo assim, as regras de segurança tem de ser seguidas. No recente acidente, o seu capacete salvou-o de morte certa ou de perder um olho. O artigo abaixo foi publicado na ISTOÉ e indica que qualquer trabalhador, do mais simples ao que ocupe uma função tão sofisticada quanto ao de um piloto de F-1, tem que zelar pelas regras de segurança do seu trabalho:
Massa teve sorte. Caso a mola que se soltou do carro de Barrichelo atingisse o rosto do piloto alguns centímetros abaixo, ele não sobreviveria. O herói nessa história foi o capacete, hoje produzido com o que há de melhor em tecnologia e muito superior aos usados até a década de 70. Foi justamente o acidente dele que levou a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) a definir novas medidas de segurança no esporte. Entre as mais significativas, o aumento da proteção de ombros e pescoço do automobilista no cockpit, melhorias nas áreas de escape nas pistas e testes de resistência mais exigentes para os carros.
NR-06
TITULO
EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL – EPI
(206.000-0)
RESUMO
Estabelece parâmetros para o dimensionamento, fabricação,
importação, cadastramento, uso, restauração e treinamento
dos equipamentos de proteção individual e específicos
aos riscos nos ambientes de trabalho (lista de EPIs)
IMPOSIÇÕES
Obrigatoriedade de aposição do CA (Certificado
de Aprovação), fornecimento, treinamento, e para
uso e reposição dos EPIs por parte da empresa
INFRAÇÕES
até 6.000 UFIR
(calculadas para empresas de médio porte - 50/100 trabalhadores)
acesse o site www.nrfacil.com.br e veja o texto completo da NR-06. Conheça o remissivo e tenha acesso a informações selecionadas desta NR