O acidente no Chile é uma boa oportunidade para estudarmos a NR-22-Segurança e Saúde Ocupacional na Mineração, cujo principal objetivo é tornar compatível o planejamento e o desenvolvimento da atividade mineira com a busca permanente da segurança e da saúde dos trabalhadores. Para isso, a NR-22 tem um PPRA próprio: o PGR, que deve tambem estar articulado à cipa da mineração - A CIPAMIN.
Recomendamos a leitura da seção NR-22.10 (veja a versão digital da NR-22 em www.nrfacil.com.br) que trata de escadas nesses locais de trabalho. Ao que tudo indica, a inexistência de uma simples escada de emergência acabou retardando o resgate dos trabalhadores no local do desabamento neste acidente no Chile.
Um outro aspecto deste caso é a necessidade de abordagem de acidentes de trabalho ainda durante o acidente. O acidente ainda não acabou e as medidas empregadas a partir de agora visam a garantia da sobrevivência dos trabalhadores que ainda estão vivendo o acidente.
Segundo um engenheiro especialista, houve uma regra básica desrespeitada em mineração neste caso: é obrigatório que toda mina tenha mais de um acesso, justamente para haver alternativa em caso de acidentes.
A Mina já registrara mais de 80 acidentes e em 2007 houve uma interdição por falta de condições de segurança. E o responsável pela liberação da interdição agora admite que não tinha conhecimento dos problemas que ela apresentava.
No Brasil, auditores fiscais podem interditar ambientes de trabalho e máquinas. Mas o levantamento da interdição pode ser feito pelo Delegado (ou Superintendente) Regional do Trabalho, mesmo contra a opinião dos Auditores.
Veja abaixo trechos de publicações de jornais (Folha de São Paulo, Veja, Zero Hora) e blogs sobre o assunto, incluindo opiniões de especialistas.
O ACIDENTE
No dia 5 de agosto, um desmoronamento interrompeu a saída de uma mina de ouro e cobre no Chile. Um grupo de trabalhadores que estavam acima do ponto de deslizamento conseguiu sair. Outros 33 ficaram presos sob o bloqueio de rochas e durante quase 3 semanas não se soube se estavam vivos. Trata-se de uma Mina com 800 metros de profundidade e não possuía iluminação e ventilação adequadas. Minas semelhantes dispõem de elevadores rápidos para o escoamento da produção e dos próprios trabalhadores.
ACIDENTES EM MINAS
Uma mina é um sistema composto por acessos às zonas onde se encontra o minério que se pretende extrair. Um refúgio é uma estrutura, normalmente metálica, de elevada resistência mecânica, que é colocada numa cavidade ao lado destas vias de circulação. No caso da mina chilena, a zona de refúgio tem 40 metros quadrados, mas há a zona de circulação onde os mineiros podem estar, com uma extensão de dois quilómetros.
Os piores acidentes de trabalho na Mineração ocorrem geralmente em minas de extração de carvão, por causa da concentração, em seus túneis, de gás metano, altamente inflamável. A ocorrência de explosões nas minas de carvão sempre faz um número alto de vítimas.
A SEGURANÇA - O PROBLEMA CRÍTICO DE UMA SIMPLES ESCADA
O governo do Chile afirmou que os 33 trabalhadores presos dentro da mina poderiam ter escapado durante as 48 horas após o primeiro desmoronamento de terra.
Isso não aconteceu, porém, por falta de uma escada de emergência no duto de ventilação principal do túnel. Deslizamentos posteriores fecharam esse acesso potencial.
O resgate dos 33 mineiros presos há quase 1 mês deve levar meses. Isolados a 700 metros de profundidade, eles preparam-se para um dos mais longos resgates subterrâneos já registrados.
ESCAVAÇÕES
Equipes de resgate conseguiram cavar um segundo buraco para manter contato com os trabalhadores. O novo buraco escavado também será usado para manter a ventilação Uma terceira sonda se aproxima da galeria na qual os mineradores estão, o que permitirá melhorar a comunicação e as condições em que se encontram.
Andrés Sougarret, que dirige as perfurações, confirmou que uma terceira sonda se aproxima da galeria na qual os mineradores estão, o que permitirá melhorar a comunicação com eles e as condições em que se encontram.
“Agora vamos poder dividir as funções. A primeira sonda vai ser para a entrega de alimentos. A segunda vai ser para nos comunicar-nos permanentemente e queremos que a terceira nos permita melhorar a ventilação”, explicou.
Engenheiros também trabalharam para aprimorar a primeira passagem aberta, reforçando as paredes e usando um gel metálico que reduz o risco de rochas bloquearem o caminho.
RESPONSÁVEIS
O ministro do Interior, Rodrigo Hinzpeter, anunciou que pedirá ao Conselho de Defesa do Estado (CDE), que empreenda ações judiciais para recuperar as despesas que o governo teve na busca e resgate dos operários presos na mina. Os donos da jazida pensam em declarar falência e pedir que o governo se responsabilize pelos salários dos trabalhadores.
O governo, segundo Hinzpeter, tomará parte nas ações judiciais empreendidas pelo Ministério Público e fará todos os esforços para que os proprietários da mina assumam suas responsabilidades.
“Não vamos deixar nenhum flanco aberto em matéria legal”, disse ele, criticando a atitude dos donos.
Enquanto os mineiros não vêm a luz ao fundo do túnel, o primeiro processo contra a empresa, foi aberto. Por agora um juiz ordenou que a Esteban Mining Company retenha, por antecipação, 1 milhão e oitocentos mil dólares.
A empresa San Esteban é acusada de não ter advertido as autoridades imediatamente após o acidente, de não respeitar as regras de segurança e de não pagar o seguro dos mineiros.
Os investigadores vão também apurar como é que a mina onde se registraram mais de 80 acidentes, um dos quais fatal, foi reaberta em 2008, sem contar com uma saída de emergência.
SOBREVIVÊNCIA
Após sobreviverem dividindo pequenas porções de comida e água que tinham dentro da mina, os homens receberam tabletes de glicose e reidratação para recuperar o sistema digestivo. Cápsulas de oxigênio também foram enviadas pelo buraco de cerca de 15 centímetros de diâmetro, e devem ajudar os mineiros a suportar as condições úmidas e quentes da mina.
De acordo com informações divulgadas pela senadora Isabel Allende, que teve acesso às fichas dos médicos que trabalham na operação de resgate, os 33 homens sobreviveram até este momento com “duas colheres de atum e meio copo de leite a cada dois dias”.
Depois que seus estômagos tiverem se ajustado, eles devem passar a receber alimentos, segundo Paola Neuman, da equipes médicas de resgate. Ontem, os homens disseram que estão “com fome, mas passam bem”, e pediram que fossem enviadas escovas de dente.
As equipes dizem que manter os mineiros informados e ocupados “faz parte do plano”. “Eles precisam entender o que está acontecendo na superfície, e saber que levará várias semanas para que eles sejam resgatados”, disse o ministro da Saúde, Jaime Manalich.
Os homens vivem em uma câmara que ficou aberta depois que a mina ruiu. O espaço é suficiente para que eles consigam caminhar. A temperatura no local é de entre 32 e 34 graus.
Paralelamente, os médicos se encarregarão da recuperação física e os psicólogos e psiquiatras darão apoio emocional para que os mineradores suportem o estresse.
MAIS ESFORÇOS PARA O RESGATE
Após descobrir que os 33 mineiros isolados há 18 dias na mina de San José, na cidade de Atacama, estão vivos, o governo chileno intensificou os trabalhos para alimentar e garantir a saúde dos trabalhadores até que as equipes consigam chegar até eles.
Os mineiros já vão poder falar neste domingo com as famílias, através de uma espécie de telefone que os comunica diretamente com o exterior, ao mesmo tempo em que na superfície se ajustavam os últimos detalhes para iniciar a perfuração que permitirá o resgate.
Pelo duto que comunica os mineiros ao exterior, além de alimentos e água, serão enviados nos próximos dias vários aparelhos para entretê-los, como sistemas de áudio mp3, um projetor compacto para vídeos - com gravações de partidas de futebol - e jogos de dados.
Está previsto um envio de roupas especiais para que suportem melhor a umidade, um dos principais problemas dos mineiros no interior da jazida. Receberão, ainda, colchões infláveis.
Desde sábado, e de forma intermitente, está sendo enviado a eles ar fresco e seco através de outro duto habilitado.
É na máquina Strata 950 - uma perfuradora gigante de fabricação italiana - que autoridades, famílias e jornalistas no local depositam as esperanças. Deve escavar uns 702 metros em linha reta, até atingir o refúgio em um processo que pode durar entre três e quatro meses.
ACIDENTE E SAÚDE MENTAL
Estima-se que os mineiros precisarão suportar o isolamento por até quatro meses, o que tem levado especialistas a ponderar sobre a saúde mental.
Por meio de tubos de plástico será enviado o necessário aos mineiros que permanecem na parte mais profunda da jazida. As equipes estimam que os mineiros tenham perdido peso nas últimas duas semanas e por isso os primeiros alimentos devem ser um gel concentrado com glicose para alimentá-los rapidamente.
Além dos esforços em torno do canal de ligação entre a superfície e o interior da mina e o envio de alimentos, o governo do Chile já se atentou para a necessidade de garantir o bem estar mental dos trabalhadores que terão de suportar muitas semanas até que o resgate seja efetuado.
Uma equipe de médicos e especialistas psiquiátricos chegou ao local na segunda-feira, colocando em prática um plano para buscar garantir a sanidade mental dos trabalhadores.
Os psiquiatras pretendem enviar questionários para determinar as condições de cada mineiro, assim como remédios e pequenos microfones para permitir que eles falem com suas famílias durante sua longa espera.
O líder das equipes de resgate, Andre Sougarret, disse que os equipamentos de comunicação podem começar a funcionar dentro de algumas horas, e que os oficiais envolvidos na operação já começaram a organizar as famílias em pequenos grupos para que tudo ocorra da maneira mais ordenada possível.
ATIVIDADES
O ministro de Saúde disse ainda que será importante manter os mineiros ocupados durante o tempo de espera.
“Precisa haver o estabelecimento de uma liderança, dar apoio e prepará-los para o que está por vir, o que não é nada fácil”, disse.
A euforia após as notícias de que os 33 trabalhadores estavam vivos trouxe uma nova fase para a ansiedade e esperança das famílias.
“Nós não dormimos. Ficamos acordados a noite toda esperando mais notícias. Eles nos disseram que novas imagens seriam obtidas, e por isso nem dormimos, aguardando”, disse Carolina Godoy.
ESPERANÇAS
Os mineiros chilenos já estão presos há quase o mesmo tempo que alguns trabalhadores que passaram por situação semelhante nos últimos anos.
Em 2009 três mineiros sobreviveram por 25 dias isolados numa mina inundada no sul da China. Já no nordeste da China dois mineiros foram resgatados com vida após 23 dias de espera em 1983.
Poucos resgates duraram mais de duas semanas na história recente de acidentes similares.
“A sobrevivência dos mineiros após 17 dias é algo muito incomum, mas já que eles chegaram até aqui, é provável que cheguem bem à superfície”, disse Davitt McAtteer, que foi secretário-assistente de segurança e saúde em minas dos EUA durante o governo de Bill Clinton.
“Os riscos de saúde numa mina de cobre e ouro são relativamente pequenos se você tem acesso a ar puro, alimentos e água”, complementou.
McAteer disse ainda que o stress após um longo período de espera pode ser um dos principais obstáculos.
“Há um padrão psicológico que já observamos” neste tipo de situação, disse. No entanto, o estabelecimento de uma linha de comunicação com os trabalhadores significa que psicólogos e psiquiatras podem “guiá-los neste processo”, afirmou McAteer.
QUEM PODE MONITORAR O ECOSSISTEMA GLOBAL
(infográfico acima publicado no NYTimes; observe as manchas escuras e cinzas, avançando do mar sobre o as praias e o litoral dos Estados, em uma área provavelmente quase igual à da Amazônia, desde a fonte de vazamento - trad de source of leaking oil)
Os fatos envolvendo o acidente da Plataforma de petróleo da BP, no Golfo do México, nos remetem, embora paradoxalmente, à questão de internacionalização da Amazônia. Os países desenvolvidos, liderados pelos Estados Unidos e Inglaterra, alegam incompetência dos brasileiros na gestão de um meio ambiente tão complexo como a nossa floresta, sendo o principal problema o desmatamento.
Entretanto, diante deste acidente, que liberou milhões de litros de petróleo e que provocou, além de acidentes de trabalho fatais, danos irreversíveis ao meio ambiente em diversos Estados americanos, é de se perguntar se esses países desenvolvidos tem mesmo competência para preservar e monitorar o seu próprio meio ambiente.
Um dos aspectos mais importantes deste acidente foi a incapacidade de conter o vazamento de óleo no oceano, mais ou menos como se alega que os brasileiros não conseguem conter o desmatamento da Amazônia. Sem contenção, o óleo do poço foi invadindo o território americano e acabou causando prejuízos muito maiores ao meio ambiente do que 50 anos de desmatamento da amazônia. A empresa (British Petroleum) é da Inglaterra e o meio ambiente que sofreu o maior dano é dos Estados Unidos. Seria interessante que os americanos e ingleses agora calassem a boca sobre a Amazônia e mandassem as ONGs ambientais que estão fuçando por aqui irem lá para o Golfo do Mexico e Estados Unidos. Ainda não tivemos informações se o Greenpeace, que é financiado por multinacionais como a BP, tinha aparecido por lá, antes do acidente.
É hora de avaliar quem quer na verdade preservar ou apropriar-se do Meio Ambiente global.
UM DIRETÓRIO COMPLETO DE IRREGULARIDADES DE PRIMEIRO MUNDO
O artigo abaixo, relativo a um dos mais complexos acidentes industriais maiores (Convenção 174-OIT), provocando fatalidades e graves repercussões ao meio ambiente, foi publicado na página central do jornal The New York Times, edição de 24/07/2010. O artigo vai mostrando as infrações a praticamente todas as diretrizes da Convenção 174.
O alarme de emergencia da Plataforma da BP não foi totalmente ativada no dia do acidente que causou incêndio e explosão, matando 11 trabalhadores e liberando um vazamento maciço de óleo no Golfo do Mexico, de acordo com uma auditoria. (O acidente afetou tambem o litoral de vários Estados americanos).
UM DIÁLOGO CRÍTICO DE SEGURANÇA
Um trabalhador chefe da equipe técnica do equipamento afirmou que o alarme de segurança estava geralmente configurado para “travado” para evitar que a tripulação da plataforma fosse despertada durante a madrugada com sirenes e luzes de emergência. Eles não queriam que o pessoal acordasse as 3 da manhã por causa de falsos alarmes. Assim, o alarme não soou durante a emergencia, deixando que os trabalhadores recebessem informações apenas através do sistema de alto falantes.
Nota do Blog: na Europa e Estados Unidos é muito comum os alarmes soarem para treinamento de segurança e evacuação de ambientes, sem que esteja ocorrendo de fato um acidente; esses alarmes as vezes são acionados durante a madrugada e quando os trabalhadores e usuários percebem que era apenas um exercício, ficam contrariados; tudo indica que para evitar esse incômodo, o alarme estava travado, que não soou, mas para piorar, o que ocorreu era mesmo um grave acidente. Este fato nos remete a uma das inserções anteriores deste blog sobre “Diálogos Críticos em Segurança” que falava sobre falhas no procedimento de segurança “para o bem estar da equipe” ou “para não incomodar os chefes” – releia aquela inserção e compare com a atual.
Enquanto não se sabe o que poderia ter salvo os trabalhadores que morreram no desastre, a ausência de um funcionamento correto e total do alarme dificultou os esforços para uma evacuação segura da plataforma.
A empresa que alugou o equipamento para a BP disse que os trabalhadores tinham permissão para configurar o alarme de forma a que não soasse desnecessáriamente quando se sabia que centenas de outros alarmes locais poderiam ser ativados para um incidente ou quase-acidente ou a uma não emergência mesmo.
“Isto não foi um descuido da segurança ou feito como um procedimento de conveniência”, disse a companhia responsável pelo equipamento. A empresa tambem destacou que havia sido feita uma auditoria independente do equipamento no início de abril no qual os inspetores testando o sistema de detecção de incêncio não encontraram detectores travados.
FALHAS ESTRUTURAIS
Uma equipe de 6 membros está investigando o desastre que liberou um dos maiores vazamentos de oleo na história dos Estados Unidos.
Ouvidos esta semana, membros da equipe descreveram a ocorrência de repetidas falhas nas semanas anteriores ao desastre, incluindo falhas no fornecimento de energia, computadores fora do ar e vazamentos em equipamentos de emergência.
A história de erros mecânicos foi documentada em uma auditoria confidencial conduzida pela BP sete meses antes da explosão. De acordo com um documento de setembro de 2009, quatro oficiais da BP descobriram que a empresa proprietária do equipamento de segurança (alarme) havia deixado 390 reparos pendentes, incluindo vários considerados de alta prioridade e que iriam requerer mais de 3.500 horas de trabalho para os reparos. Não ficou claro quantos desses problemas permaneceram até o dia da catástrofe.
A Auditoria encontrou que Relatórios de erros foram ignorados pela empresa mantenedora do equipamento. “Consequentemente, um número de recomendações que a empresa havia indicado como resolvido, havia se deteriorado de novo ou não havia sido corretamente corrigido quando foi diagnosticado”, escreveram os investigadores.
FALHAS EM RESPEITAR AUDITORIAS
Em uma declaração, a BP disse que havia uma expectativa de que a empresa de manutenção levasse a auditoria a sério. O objetivo era que a empresa de manutenção tivesse abordado todos os itens críticos de segurança de uma maneira rápida. Como foi dito previamente, o acidente da plataforma tinha multiplas causas potenciais, incluindo falha de equipamento.
Durante uma Audiência, testemunhas disseram que erros e improvisos tiveram um papel na composição dos problemas do equipamento.
Um Engeheiro especialista disse aos investigadores que os membros da equipe tinham feito de forma incorreta um teste crítico de emergência do equipamento e não detectaram um pequeno vazamento de gás aproximadamente uma hora antes da explosão.
Um Engenheiro de petróleo e professor universitário disse aos investigadores que os dados do equipamento mostraram que os membros da equipe falharam em corrigir um teste de pressão no poço.
“Afinal, a realidade não é um teste”, disse o engenheiro, após rever os registros de ações da equipe. Durante meses, sobreviventes e a empresa de manutenção haviam assegurado que o teste de pressão do poço tinha sido conduzido de forma apropriada.
O Engenheiro adicionou novos detalhes sobre o equipamento testemunhando que um outro oficial da empresa mantenedora havia configurado um sistema crítico para remover gas do poço para a função “modo de bypass”. Quando o Engenheiro questionou aquela decisão, o oficial da manutenção falou que ele havia sofrido uma reprimenda. “E o pior é que a coisa estava em bypass por cinco anos – melhor dizendo, a plataforma inteira rodava em bypass”, disse ele.
Os problemas existiam desde o início de funcionamento do poço, disse o Engenheiro. Por diversos meses, o sistema de computadores estava desligado, produzindo o que os membros da equipe chamavam “a tela azul da morte”.
Reposição de hardware (sistemas de informação e computadores) tinha sido requerido mas não foi instalado na época do desastre.
PRESSÃO FINANCEIRA E NEGLIGÊNCIA EM CADEIA
Nas semanas finais de perfuração, supervisores estavam sob intensa pressão financeira para completar o poço doente, disseram várias testemunhas. A BP estava 43 dias atrás do cronograma quando o poço explodiu, custando à empresa cerca de 1 milhão de dólares por dia.
Das ordens de segurança determinadas à empresa mantenedora, algumas foram simplesmente rejeitadas, sem que nenhuma redução do risco fosse demonstrada.
Observaram-se condições inseguras de trabalho incluindo uma fina película de lama do poço supostamente de equipamentos impermeáveis que vazavam e equipamentos de segurança com data de inspeção vencida. Os registros de manutenção eram defasados com ausência de informações e qualidade pobre de relatórios que deixavam de registrar detalhes suficientes para convencer o leitor que a tarefa teria sido cumprida de acordo com o procedimento previsto.
Finalmente, um mês antes do acidente uma auditoria da “cultura de segurança” da plataforma de uma seguradora encontrou alguns trabalhadores apavorados sobre práticas de segurança e assustados com represálias se eles registrassem os erros.
Tradução livre: Samuel Gueiros, Med Trab Coord NRFACIL
Nota do Blog: o artigo acima é um cardápio completo de irregularidades encontradas em auditorias de segurança; para o nosso leitor que já é experiente ou para aquele que está iniciando na área de segurança, os fatos relatados neste Relatório inclui praticamente a maioria das situações críticas em segurança. É uma aula completa.
E assim como lá nos Estados Unidos, aqui no Brasil, auditorias são realizadas, inclusive pelos auditores do Ministério do Trabalho, mas os erros se repetem e a impunidade sem dúvida é a mãe de todos os erros de segurança.
E ainda tem empresas que estão reclamando do FAP, talvez uma única esperança de que o onus fiscal dos acidentes possa reverter os agravos crescentes à saúde e segurança dos trabalhadores, que é quem acabam sempre pagando por esses erros. E assim como em todos os acidentes de trabalho e que neste caso reverteu gravemente para o meio ambiente, este da BP mostra que o prejuizo financeiro do acidente é sempre maior do que o investimento em segurança.
Gabriel, de 15 anos, filho de um dos integrantes da equipe NRFACIL, mostrou ao pessoal do site a Revista Tio Patinhas no.530, com uma tira intitulada “segurança no trabalho”.
Chamou a atenção da equipe NRFACIL a existência de um revista infantil que aborda o tema. Sem dúvida que isto terá um efeito informativo para as crianças e adolescentes que leram a revista; nessa tira, aparecem personagens típicos da cena em que cotidianamente os profissionais se deparam: o empresário inescrupuloso, o trabalhador sem proteção, o fiscal do Ministério, as desculpas para não usar EPI, excesso de jornada, obras cheias de riscos, acidentes de trabalho, tudo isso abordado com o bom humor das revistas da Disney quando se trata do Pato Donald e Tio Patinhas. Embora as tragédias dos ambientes de trabalho não tenham qualquer graça no mundo real, a história dos quadrinhos mantem o interesse da leitura infantil e certamente influência subliminar para o conhecimento e conscientização daqueles problemas. Tivemos a idéia de publicar a tira, como um contraponto a um assunto formal como é a questão da segurança no trabalho abordada por profissionais. A Editora Abril (Disney), através do Atendimento ao Leitor (Luciana Gomes) foi contactada e autorizou a publicação da tira no Blog NRFACIL, desde que com os créditos devidos, que vai reproduzida abaixo:
USE AS SETAS NO RODAPÉ DO QUADRINHO PARA AVANÇAR OU VOLTAR
Adaptação Flash Player: Laurison Silva Tec Info NRFACIL
Veja abaixo um vídeo-educativo sobre os riscos do trabalho em altura que englobam as NR-08 (Edificações) e NR-18 (Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Industria da Construção Civil).
Você sabia que a NR-08 estabelece requisitos técnicos mínimos que devem ser observados nas edificações, para garantir segurança e saúde aos trabalhadores? Já a NR-18 estabelece as diretrizes de ordem administrativa, de planejamento e de organização, que objetivam a implementação de medidas de controle e sistemas preventivos de segurança nos processos, nas condições e no meio ambiente de trabalho na Indústria da Construção.
Quer saber mais ainda? Então acesse o site do NRFACIL