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NR-22 (MINERAÇÃO): ACIDENTE, RISCOS E CONTROLE DE RISCOS

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Um elevador despencou em uma mina de esmeraldas e matou cinco garimpeiros na Serra da Carnaíba, no município baiano de Pindobaçu (370 km de Salvador), quando os mineiros desciam em um elevador até o local de extração, localizado 160 metros abaixo da superfície.

A perícia vai investigar se houve ruptura do cabo de aço que sustentava o elevador rudimentar, conhecido como caçamba, ou se houve algum problema com as roldanas do dispositivo.

Os homens estavam em um equipamento conhecido como “caçamba”, que fazia o transporte dos trabalhadores da superfície para o subsolo, quando o cabo de aço que prendia a estrutura se desprendeu. As vítimas despencaram de uma altura de 150 metros, equivalente a um prédio de 50 andares.

O rompimento do cabo de aço provocou a falta de freio no sistema de elevação da “caçamba” [como tem sido chamado o suporte que transporta as pessoas], o que teria feito os garimpeiros despencarem até o subsolo da mina.

O trabalho de extração das pedras preciosas é considerado de alto risco porque geralmente é feito de forma improvisada, sem as condições mínimas de segurança. Alguns garimpeiros usam pequenas cadeiras para descer, também sustentadas por cabo de aço.

O assunto nos remete à NR 22 (MINERAÇÃO), com regras e procedimentos para a prevenção de acidentes baseada na Convenção 31 da OIT.  As circunstâncias deste acidente indicam que provavelmente não houve em qualquer tempo fiscalização das condições de trabalho nesses ambientes. Veja no infográfico a pasta da NR-22 e a menção aos equipamentos de guindar:

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as-vatimas-trabalhavam-em-uma-mina-de-extraaao-de-esmeralda-pratica-comum-na-regiao-da-serra-da-carnaaba-na-bahia2ACIDENTES EM MINAS

Uma mina é um sistema composto por acessos às zonas onde se encontra o minério que se pretende extrair. Um refúgio é uma estrutura, normalmente metálica, de elevada resistência mecânica, que é colocada numa cavidade ao lado destas vias de circulação.

Os piores acidentes de trabalho na Mineração ocorrem geralmente em minas de extração de carvão, por causa da concentração, em seus túneis, de gás metano, altamente inflamável. A ocorrência de explosões nas minas de carvão sempre faz um número alto de vítimas. Ultimamente acidente tem ocorrido por falhas mecânicas em sistemas de transporte dos trabalhadores utilizando elevadores.


RISCOS NA MINERAÇÃO

SITUAÇÕES

RISCOS

Presença de água

Risco de inundações

Métodos de lavra

Risco de desabamento

infiltrações

desmoronamento e quedas de blocos; podem ocorrer em minas de subsolo mas em minas a céu aberto

Maquinas equipamentos

Falta de proteção em correias transportadoras, polis, guinchos, etc.

Eletricidade

Fiação elétrica desprotegida, disjuntores e transformadores sem proteção, supervisão e manutenção insuficiente e falta de sinalização

Vias de acesso

Falta de proteção de aberturas dos locais de transferência e tombamento de minério, escadas com degraus inadequados, escorregadios e sem corrimãos, passarelas improvisadas sem guarda corpo e corrimão

Iluminação deficiente

Quedas e dificuldade de visualização e comunicação em operações noturnas

Pisos

Irregularidade, obstáculos

Veículos

Transito de equipamentos pesados

Incendio e explosões

Riscos em Depósitos de combustíveis; No atrito de correias; Equipamentos de solda e curtos-circuitos; Depósitos de explosivos com ventilação e iluminação inadequada, armazenamento inadequado (excesso de explosivos, explosivos vencidos, armazenagem de explosivos e acessórios no mesmo local),sinalização inadequada de explosivos e acessórios depositados em subsolo junto a vias de ventilação e trânsito de equipamentos e pessoas; Fumo em subsolo, principalmente nas atividades de manuseio de explosivos;

Organização e
Processos de trabalho

Esforço físico excessivo é decorrentes de grandes percursos a pé (minas a céu aberto ou em subsolo), uso de escadas de grande extensão, quebra manual de rochas;

Levantamento e transporte de pesos, uso e transporte de ferramentas pesadas (marteletes, brocas integrais, perfuratrizes)

Posturas inadequadas no trabalho sobre áreas de topografia acidentada, trabalhos sobre máquinas e assentos inadequados de equipamentos

Controle de produtividade, ritmos de trabalho excessivos, monotonia e repetitividade, trabalhos em turnos e prorrogação de jornada de trabalho.

Fonte: Acervo Digital Fundacentro

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GERENCIAMENTO DE RISCOS

  • Melhorar a confiabilidade de máquinas, equipamentos, instalações e ambientes, o que inclui sua manutenção preventiva para manter ou melhorar as condições de funcionamento e segurança. No Brasil, muitos equipamentos sem manutenção adequada, velhos e obsoletos continuam em funcionamento através de “gatilhos”, e soluções improvisadas
  • Uma organização do trabalho adequada que capacite e fortaleça os trabalhadores ao lidarem com as situações de risco. Fazem parte desta organização, o treinamento e a qualificação adequados; a existência de informações e procedimentos operacionais para operações de rotina ou de emergência sob segurança, as  tarefas planejadas com exigências físicas e mentais compatíveis com as qualificações existentes e necessidades de saúde dos trabalhadores, evitando sofrimento, doenças e a ocorrência de erros humanos. Muitas vezes, trabalhadores sem qualificação adequada são colocados em situações de risco grave, ou recebem ordens para alcançar níveis de produtividade em circunstâncias incompatíveis com as exigências de segurança e saúde dos trabalhadores;
  • O monitoramento da exposição aos riscos sobre o ambiente ou sobre os próprios trabalhadores. Os riscos no ambiente são monitorados pela quantificação e qualificação, e sobre os próprios trabalhadores,  por exames periódicos, de acordo com o risco em questão, que visam detectar exposições elevadas a determinados agentes antes que os efeitos mais graves ou irreversíveis surjam.
  • A análise de falhas, pelo registro  de incidentes, quase-acidentes ou ocorrências anormais, além do registro e análise dos acidentes já ocorridos. Normalmente, antes que um acidente ocorra, várias falhas já ocorreram anteriormente, sendo “sinais” de que um acidente está próximo de ocorrer. Essas falhas ou anormalidades são prenúncios de futuros acidentes, e deveriam ser objeto de registro, análise e controle, evitando desta forma acidentes mais graves, esta estratégia é fundamental para evitar a ocorrência de acidentes mais graves.
  • A existência de espaços coletivos de discussão e decisão nas empresas, com a participação dos trabalhadores, sobre os temas de interesse para a sua saúde. Este tópico é de grande importância, e sem ele todos os objetivos anteriores ficam prejudicados. Idealmente, CIPA’s.

CONCLUSÕES

Concluimos que mesmo com uma NR específica para a Mineração e de trabalhos diversos sobre o assunto por parte de profissionais e acadêmicos, os acidentes devem continuar ocorrendo por falta de fiscalização das condições de segurança e saúde no trabalho por parte dos órgãos competentes. O acidente ocorreu a apenas 370km da capital, e provavelmente essa mina não deve ter recebido qualquer fiscalização há anos. O grau de irregularidades constatadas e que levou ao acidente demonstra claramente que práticas incompatíveis com a segurança vinham ocorrendo há muito tempo. E este é o cenário em praticamente todo o país.

AGENTES DE SAÚDE DO TRABALHO

Há necessidade de que o governo federal, através do Ministério do Trabalho, estabeleça convênios com prefeituras de municípios onde a Auditoria Fiscal do Trabalho é precária ou inexistente, criando os Agentes de Saúde no Trabalho, assim como os Agentes de Saúde Pública. Esses Agentes promoveriam ações de vigilância, incluindo informações e treinamentos. Relatórios dessas atividades seriam remetidos às superintendencias do Ministério do Trabalho para ações de intervenções mais diretas (Auditoria Fiscal, com ações de embargo, interdição e autos de infração), quando fosse o caso. E isto está previsto na legislação. Veja o que diz a NR-1:

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Podem ser delegadas a outros órgãos federais, estaduais e municipais, mediante convênio autorizado pelo Ministro do Trabalho, atribuições de fiscalização e/ou orientação às empresas, quanto ao cumprimento dos preceitos legais e regulamentares sobre segurança e medicina do trabalho.

AUDITORES E AGENTES

O problema é que os órgãos representativos dos auditores fiscais temem uma descaracterização da Auditoria Fiscal com esses convênios, que nunca se realizaram. Esse risco poderia ser minimizado desde que o Agente de Saúde no Trabalho fosse cargo privativo de Técnico de Segurança do Trabalho, mediante contratação pelas prefeituras, não tendo a prerrogativa de autos de infração, embargo e interdição. As funções seriam semelhantes aos Agentes de Saúde Pública e assim não haveria conflito com a Auditoria Fiscal. Essa medida inclusive absorveria o contingente de TST que vem sendo graduado em cursos diversos no país, por exigência do próprio MEC. Esse Trabalho poderia ser coordenado pela Secretaria Municipal do Trabalho ou que tenha abrangência sobre as questões dos trabalhadores.

Se você é TST, faça essa sugestão à Prefeitura do seu Município para que ele possa batalhar por esse tipo de convênio, que tem respaldo legal. O NRFACIL divulgará o resultado das ações dos TST nessa direção, envie-nos mensagens sobre o seu Município. Vamos abrir um forum sobre o assunto no Facebook.

Abaixo, infográfico com um Resumo da NR-22. Veja o texto completo desta e de todas as NRs no site NRFACIL.

NR-22
TITULO SEGURANÇA E SAÚDE OCUPACIONAL NA MINERAÇÃO
(222.000-8)
RESUMO Estabelece diretrizes de ordem administrativa, de
planejamento e de organização, que objetivam a
implementação de medidas de controle e sistemas
preventivos de segurança nos processos, nas condições
e no meio ambiente de trabalho na Mineração
(incluindo uso de explosivos, comunicação e sinalização)
IMPOSIÇÕES Elaboração de uma CIPA específica (CIPAMIN)
e do Programa de Gerenciamento de Riscos
semelhante ao PPRA da NR-9
INFRAÇÕES até 6.000 UFIR
(calculadas para empresas de médio porte – 50/100 trabalhadores)

Fontes: ACERVO DIGITAL FUNDACENTRO (clique aqui para o texto completo)
(trechos de monografia; autor: Eng Dorival Barreiros)
Edição e texto final em itálico: Prof. Samuel Gueiros, Med Trab, Coord NRFACIL

Veja post anterior neste Blog: MINEIROS DO BRASIL

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5 comentários

  1. Edilaine Vilela abr 23rd 2012

    Bom dia ,eu li este artigo e achei maravilhoso ,Muito interessante a questão dos agentes de saúde do Trabalho vou falar com a prefeitura da minha cidade e mostrar como essa ideia é Maravilhosa e valida .

  2. Uilian abr 24th 2012

    Nossa muito interessante essa investigação e as medidas proposta redigidas por vocês da NR – Fácil, gostei muito, agora essa ideia dos agentes de saúde do trabalho era uma boa heim, nossa melhoria tudo para nos tst, acho que vocês tem uma ferramenta importantíssima me mãos, vocês deviam gerar uma publicidade mais forte sobre esse assunto criar algum meio de comunicação que atingisse um maior numero de pessoas, muito boa essa ideia, acredito que esse é um dos caminhos para melhorar as condições de trabalho para nossa classe.

  3. olá como estudante de segurança do trabalho,só tenho que aplaudir este tipo de iniciativa.as empresas tem que se conciêntizar que o colaborador treinado é seu maior patrimônio,deixando de pensar somente em lucros e investir mais em equipamentos de segurança e proteção ao trabalhador.parabéns pela iniciativa.

  4. muito bom gostei,no brasil a muitas minas e precisam ser mais fiscalizadas ,pela proteção dos seus colaboradores…..sou estudante de segurança do trabalho,e estou fazendo um trabalho sobre segurança e saude na mineração….

  5. José Silva abr 2nd 2014

    Excelente essa ideia, infelizmente a sociedade ainda mostra uma cultura pós traumática, líderes e órgãos fiscalizadores que tem o poder de agir com antecedência e estratégia nem sempre o fazem, por isso desastres como esse ainda acontecem. Para os estudantes e formados em TST e envolvidos será muito bom.


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