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A ESCALA DO APRENDIZADO COGNITIVO PARA O TREINAMENTO EM SST

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Uma das responsabilidades profissionais em segurança é entender ao máximo como os adultos aprendem, assim como eles agem acerca dos aspectos técnicos da segurança.

Este artigo, publicado em inglês no site OHS on line, descreve como os princípios de aprendizagem do Dr. Benjamim Bloom podem fazer seu treinamento em segurança ser mais efetivo. Foi autorizada a publicação da tradução neste Blog.
É um artigo longo, e se você não puder lê-lo todo agora, vá lendo durante a semana e fazendo suas anotações.

Autor: Shawn Adams (Jun 01, 2010)
C.P.C.U., A.R.M., PHR, trabalha em treinamento e desenvolvimento para um hospital em Marion, Ill., e mora em Harrisburg, Illinois (USA)

Tradução livre do artigo no site

http://ohsonline.com/articles/list/ht-construction-safety.aspx

peabiruscombrTREINAMENTO E APRENDIZADO

O consenso geral daqueles responsáveis pela segurança no trabalho é que os chamados atos inseguros causam a maior parte dos acidentes de trabalho. Assim, considerando que a maior parte dos acidentes é resultado de ações humanas, a batalha decisiva na guerra da segurança é pelas mentes dos trabalhadores.

O treinamento constitui a maior parte das responsabilidades de trabalho dos profissionais da segurança e uma ferramenta importante na mudança das mentalidades e subsequentemente dos comportamentos da força de trabalho.

Como o treinamento é uma parte vital no processo de comunicação para a mudança de comportamento dos trabalhadores, podemos afirmar que uma das responsabilidades profissionais em segurança é entender ao máximo como os adultos aprendem, assim como eles agem acerca dos aspectos técnicos da segurança.


apep183blogspotcomUMA ESCALA PARA O APRENDIZADO

Todo o conhecimento técnico do mundo não serve para nada se nós não pudermos nos comunicar com os trabalhadores e fazer com que eles, assim como os supervisores, valorizem a segurança. Infelizmente, muitos profissionais de segurança, embora bem treinados em aspectos técnicos da área, não estão preparados para fornecer não apenas treinamento, mas otimizar o treinamento. Felizmente, existem teóricos do aprendizado que entendem como multiplicar esta informação. Um desses teóricos é o Dr. Benjamim Bloom. A chamada “Classificação de Bloom” pode ser tornar uma ferramenta valiosa em ajudar como entender a forma como adultos aprendem e assim otimizar seu programa de treinamento.

Geralmente as pessoas responsáveis por treinamento não sabem como os adultos aprendem, inclusive nas próprias universidade. É comum saber-se que existem professores brilhantes mas que não sabem comunicar o conhecimento aos alunos. Conta-se que um Juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos declarou em uma decisão que não sabia como definir pornografia mas saberia o que era quando visse. Infelizmente, muitos técnicos de segurança estão na mesma situação, eles não sabem o que faz um bom treinamento mas sabem identificá-lo quando eles o virem, embora não entendendo como chegar ali quando forem responsáveis pela instrução.



NÃO ADIANTA SÓ FALAR

Algumas pessoas acham que ensinar é só falar e isso pode não ser muito difícil. Infelizmente, isto é mais ou menos como pessoas que acreditam que segurança não é uma disciplina de fato, afinal, segurança é justamente o “bom senso”. Talvez ensinar é só falar, mas um ensino efetivo é alguma coisa como uma arte, assim como praticar segurança.

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A CLASSIFICAÇÃO DO PROF. BLOOM

Uma das teorias chaves em aprendizado do adulto é atribuído ao Dr. Bloom (1956). Ele desenvolveu um sistema para o aprendizado do adulto, chamado de Classificação de Bloom. Entender esta classificação irá ajudar os profissionais de segurança em treinamento na compreensão de como adultos aprendem e, como resultado, entender melhor como se tornarem bons treinadores ou professores.

Bloom explica que o aprendizado divide-se em 3 diferentes domínios:

1. o o primeiro é o aprendizado psicomotor; este tipo de aprendizado significa “ação e movimento”; um exemplo deste tipo de aprendizado é encontrado em jardins de infancia, quando crianças atravessam uma corda suspensa para ajudá-los a desenvolver coordenação. Outro exemplo – crianças nadando no chão sob um cobertor, brincando de simular uma fuga; um exemplo em adultos pode ser visto em um treinamento de emergencia, quando os trabalhadores são treinados para utilizar um determinado EPI quando soa um alarme. O conceito de ver uma ação e praticar uma ação e depois executar a ação sob os olhos de um instrutor é uma parte importante do aprendizado psicomotor;

2. Um outro tipo de aprendizagem é o aprendizado afetivo. Aprendizado afetivo envolve os valores e atitudes dos trabalhadores; um exemplo na infancia é quando o professor trabalha com as crianças como respeitar os outros e não interromper as pessoas; um excelente exemplo adulto em segurança é como, em uma empresa como um avançada cultura de segurança, os trabalhadores não usam EPI apenas no trabalho – eles o utilizam também fora do trabalho, inclusive em trabalhos domésticos.

3. O terceiro nível da Classificação de Bloom é o aprendizado cognitivo. Este tipo de aprendizado envolve fatos, regras, princípios e procedimentos. Aprendizado cognitivo ocorre em escolas de ensino fundamental, de ensino médio e tambem no trabalho. Este tipo de aprendizado cognitivo desdobra-se em seis etapas progressivas. À medida que o aprendizado progride, um alto nível de aprendizado vai ocorrendo. Vamos observar que o propósito do seu treinamento deve ser conseguir que o aprendizado suba de nível o mais alto possível a fim de maximizar o treinamento e, consequentemente, a efetividade da segurança.

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NIVEIS DE APRENDIZAGEM COGNITIVA

CONHECIMENTO – COMPREENSÃO – APLICAÇÃO

O primeiro nível no aprendizado cognitivo de Bloom é CONHECIMENTO. Isto consiste no mais básico e envolve simplesmente conhecer. Saber como colocar um rótulo em um container de um produto químico, saber como ligar ou desligar um dispositivo, são alguns exemplos. Conhecimento é tarefa básica e requer que  o trabalhador veja a tarefa, pratique a tarefa e em seguida realize a tarefa com a ajuda do treinador. É aqui que muitos programas de treinamento falham, porque muitos gerentes e supervisores não entendem que as pessoas tem vontade própria. Simplesmente colocar o problema e apenas dizer aos trabalhadores dando-lhes a informação básica é algo certamente próximo da mediocridade, se não uma absoluta falha.

Um bom treinamento para adultos requer que o supervisor não apenas saiba o que, mas porque. Pense nisso. Você como indivíduo faz melhor quando simplesmente sabe “o que” ou você entende melhor quando sabe “porque”?

Observe que crianças são simplesmente ensinadas sobre “o que” e, por respeitar os adultos, eles concordam com o “o que”. Quando eles crescem, eles querem saber “porque”. A criança que se torna adulta quer saber porque ela tem que fazer algo e porque é importante.

Será que o sistema de treinamento de sua empresa trata seus trabalhadores como crianças, esperando que eles simplesmente façam o que foi dito e para essencialmente calar a boca sobre aquilo?

Ou seja, será que a sua empresa espera que a mesma pessoa exerça um julgamento como um adulto quando ela é admitida?

Enquanto um trabalhador mais jovem poderá abertamente desafiar este tipo de aprendizado, os adultos, por sua vez, irão interpretar que esse comportamento rebelde irá levar a consequencias negativas no trabalho. Ou seja, eles simplesmente vão fazer o que eles foram mandados mas somente enquanto alguem estiver olhando. A empresa que fica na posição de esperar para ensinar a adultos como crianças e esperar que o tempo passe para que eles exerçam independencia no trabalho é ignorar complementamente a natureza humana e ao fazer assim estão criando uma situação de risco.


COMPREENSÃO

O aprendizado adulto necessita caminhar na direção da COMPREENSÃO, o segundo nível do aprendizado cognitivo de Bloom.

Ficar atento à lógica de que adultos devem entender porque eles estão fazendo alguma coisa – isto é o menor nível que o seu programa de treinamento deve partir na direção do aprendizado cognitivo.

Mesmo assim, este nível de aprendizagem, simplesmente sabendo “o que” e “porque” irá produzir ainda resultados medíocres. Isto ocorre porque, em nosso mundo complexo, trabalhadores geralmente tem de fazer decisões independentes e exercer julgamento.


APLICAÇÃO

O próximo nível é a APLICAÇÃO. Melhor do que apenas fazer uma tarefa (conhecimento) e entendê-la (compreensão), aplicação requer que o treinador esteja apto a aplicar o conhecimento em diferentes situações. Enquanto CONHECIMENTO requer que o treinador veja uma tarefa resolvida, em seguida praticar e executar a tarefa, APLICAÇÃO do aprendizado requer que o treinador aplique o conhecimento em circunstancias que podem ser diferentes da maneira como a tarefa foi aprendida.

Um exemplo simples que a média dos trabalhadores pode entender é sobre saída de emergencia. Ocorre quando o trabalhador é ensinado a sair por uma porta específica durante uma emergência (conhecimento) e sabe que ele pode morrer se ele falhar em sair quando o alarme soar (compreensão). A aplicação requer que o trabalhador, sem treinamento posterior, possa ir para uma outra porta que deve ser a primeira porta a ser trancada. Saída de emergencia é uma aplicação simples mas ela é a etapa que separa o simples e médio treinamento para um treinamento padrão. Certamente, a média de trabalhadores terá o bom senso de utilizar corretamente a primeira saída de emergência a ser fechada. Entretanto, será que o trabalhador médio saberá o que fazer em um cenário mais complexo, como acabar entrando em um espaço confinado potencialmente perigoso, que pode abrigar uma variedade de diferentes riscos?



ANALISE

O próximo passo no processo de aprendizagem cognitiva é ANÁLISE, no qual o treinador pode separar uma parte do sistema de outro com o objetivo de observar padrões e diagnosticar problemas potenciais.

Por exemplo, um trabalhador da manutenção é treinado em desligar uma máquina e sabe que se falhar em fechar o sistema, pode resultar em que alguem ligue a máquina sem saber que o sistema fechou (compreensão). Digamos que a chave do trabalhador se perdeu, e assim ele terá que pegar outra (aplicação). Entretanto, análise requer que o trabalhador analise a situação vá uma etapa adiante, observando padrões.

Quando o trabalhador analisa a situação ele se dá conta de que outro botão de desligamento pode não ser seguro, entendendo que a chave pode ser outra; isto pode resultar em que, estando a chave sendo desligada, embora ele tenha fechado o sistema, alguem pode ainda continuar em situação de risco.

Enquanto um trabalhador com conhecimento não sabe, um trabalhador com compreensão sabe, mas apenas aquilo relacionado à situação específica, não a situação como um todo. Um trabalhador com aplicação não sabe sobre a situação como um todo, enquanto um trabalhador com análise irá ver toda a situação de risco. Neste ponto o trabalhador pode começar a agir como um adulto em relação à segurança; ele não precisa de um profissional de segurança ou supervisor para servir de “babá” para ele a cada minuto, mas pode começar tomando iniciativa e adotar decisões com responsabilidade para a sua própria segurança.

O trabalhador ainda precisa de profissionais de segurança para ajudá-lo em análises de risco mais avançadas, lado a lado com informações atualizadas sobre causas de acidentes e prevenção, assim como desenvolvimento em saúde ocupacional.


SÍNTESE

A Quinta etapa neste processo é SINTESE. Neste nível, o trabalhador estará apto a desdobrar todo o sistema em partes individuais e reconstuir o sistema para formar um ainda melhor. É neste nivel onde trabalhadores podem ser indispensáveis em ajudar a desenvolver um sistema de segurança.

Por exemplo, é seguro afirmar que a média dos profissionais de segurança não tem conhecimento que a média de eletricitários tem. O eletricitário tem o conhecimento técnico,  embora possivelmente falte a ele o conhecimento de segurança para fazer o sistema trabalhar dentro do padrão. O profissional de segurança tem o conhecimento geral mas falta-lhe informações acerca de detalhes técnicos que o eletricitário tem dos aspectos operacionais do dia a dia. Entretanto, quanto você coloca as habilidades do eletricitário e de um profissional de segurança juntos, e quando eles podem se comunicar um com o outro, uma grande sinergia ocorre, onde o total das partes é bem maior que os elementos individuais.

Quando isto ocorre, o programa de segurança evolue para um nível mais avançado assim como o profissional de segurança está apto a lidar com problemas de segurança que ele jamais havia pensado antes, na ausencia das informações trazidas por um eletricitário treinado. Entretanto, isto é o papel do supervisor de segurança, não do eletricista, fazer com que a sinergia ocorra através da linguagem do eletricitário.


AVALIAÇÃO

A etapa final da Classificação de Bloom é avaliação. Quando o trabalhador atinge este estágio, ele estará apto a julgar a efetividade do programa no ambiente do dia-a-dia, incluindo emergências. Estará tambem apto a se tornar um grande recurso para a segurança  que poderá auxiliá-lo como um parceiro a fim de verificar como um programa de segurança pode interagir um com o outro. O conflito entre o fechamento de portas para a segurança de um prédio e a abertura delas para uma saída de emergência serve como um bom exemplo.


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ATINGINDO O NÍVEL DE EXCELÊNCIA

O valor da Classificação de Bloom do domínio cognitivo para o seu sistema de segurança é melhor entendido quando associado ao entendimento sobre o significado do domínio afetivo. Existem 4 níveis do domínio afetivo que influencia valores: O primeiro é atenção. Neste estágio, o trabalhador simplesmente sabe o valor de uma ação, como por exemplo trabalhar com segurança, mas não necessariamente vai seguir este princípio. Em contraste com o primeiro exemplo, o segundo nível é reforço. Nesta fase, o trabalhador sabe o valor de uma ação, mas vai segui-lo somente quando houver reforços positivos, como um programa de incentivo ou de mecanismos de reforço negativo, como ser chamado a atenção por violação de regras. Assim, o trabalhador responde a esses reforços, não porque ele acredite que segurança é um valor essencial. O terceiro nível é promoção, quando o programa de segurança começa a decolar. Neste fase, o trabalhador acredita em segurança, segue as regras sem estímulos e encoraja os demais a fazer o mesmo. Antes dessa fase ocorrer, o trabalhador deve valorizar a segurança e porisso ele deve entender porque.

O nível final é defesa, quando o trabalhador acredita em segurança de forma efetiva, ele não vai apenas atuar com segurança sem qualquer motivação ou punição e não apenas vai encorajar outros para seguir os procedimentos de segurança, mas tambem irá ativamente defender o conceito geral de segurança ou um programa específico quando diante de críticas. Profissionais de segurança devem estar na fase de “defesa” em seu dia-a-dia.

Um exemplo perfeito das duas partes da Classificação de Bloom, a cognitiva e a a afetiva, é ter uma experiencia em segurança com uma sólida formação cultural na área. Por exemplo, fora do trabalho, você usaria EPI quando estivesse fazendo algum trabalho em casa, não apenas por algum reforço, positivo ou negativo, mas porque realmente acredita no valor da segurança? Você usa cinto de segurança porque tem medo do guarda de trânsito ou porque você sabe bem o que pode acontecer se você se envolver em algum acidente e não estiver como o cinto? Você conserva bem um extintor de incêndio? Você ensina a seus filhos essas coisas e encoraja seu esposo ou esposa para fazer o mesmo?

Dr. Bloom nunca reinvindicou que sabia alguma coisa sobre segurança. Entretanto, suas observações em aprendizado do adulto, da maneira como aprendemos e da forma como valorizamos alguma coisa como segurança é uma importante lição nestes tempos em que lutamos para fazer o local de trabalho um lugar mais seguro.

Tradução livre: Prof. Samuel Gueiros, Med Trab, Coord NRFACIL
(certificação em Inglês para uso acadêmico pela Universidade de Leeds, Inglaterra)
Obs.: passe o mouse para ver o crédito das imagens

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4 comentários

  1. Edson Vieira jun 29th 2010

    Excelente! É um assunto muito importante para a área de segurança do trabalho. Não podemos simplesmente repassar informações, mas criar uma cultura de segurança na classe trabalhadora. E isso só acontecerá quando tivermos treinadores capacitados a ensinar. Parabéns e obrigado.

  2. Leandro jul 20th 2010

    Saber como passar as informaçõesao colaborador é um dooma todos aqueles que se digão técnicos de segurança do trabalho, em nossas mão a muitas vidas e estas podem se perder por um simples discuido. Artigo muito bom que coloca em duvida se praticamos segurança pelo medo ou por prazer…

  3. Claudio Xavier TSST jul 24th 2010

    Olá, Bom Dia, Boa tarde, Boa Noite!

    Este assunto é pertinente e importante, pois somos formadores de opiniões e temos obrigação de saber e passar as informações corretas, conscientizando e sensibilizando, de que forma? Na capacitação em mais conhecimento atraves de cursos especificos,entendendo o processo da empresa, e termos a humildade de aprender obtendo informações com os próprios trabalhadores no dia a dia, seja na fábrica ou na obra. O problema e que muitos profissionais da área de SST não sabe ou não tem a percepção de que se deve investir nesta área.Quero obter mais informações sobre este método.
    E obrigado pelo espaço cedido.

  4. sergio dias santana ago 14th 2012

    Boa Noite! Estou terminando o curso de técnico de segurança de trabalho,e fico muito feliz de encontrar matérias tão pertinentes ao nosso curso,ou seja a profissão de técico de Segurança.E bom ter informações que nos leva a refletir sobre determinadas atitudos de trabalhadores e porque não dizer de nos mesmos profissionais,as vezes o que se aprende não se aplica, e o que se aplica,quando se aplica não é muito bem compreendido,não e esclarecedor,logo não e compreendido pelo trabalhador.Gostaria de parabeniza-los pelos informativos e espero que eu venha sempre que preciso consultar esse site.


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