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RELATÓRIO FINAL SOBRE O ACIDENTE DA PLATAFORMA BP

bp-transocean-deepwater-horizonACIDENTE DA BP: TENTATIVAS DE CONTENÇÃO DO VAZAMENTO DE ÓLEO

Relatorio Final sobre a explosão da Plataforma da British Petroleum no Golfo do Mexico responsabiliza as empresas. Veja íntegra http://www.boemre.gov/pdfs/maps/DWHFINAL.pdf

A Equipe de investigação do Ministério do Interior dos Estados Unidos, publicou Relatório em 14/09 dedicando-o aos 11 trabalhadores mortos na explosão  e homenageando o trabalho de resgate através de barcos próximos e tripulações que ajudaram 115 sobreviventes conseguirem evacuar da área de forma segura.

De forma proposital ou não, muitas das decisões tomadas pelas empresas BP, Halliburton e Transocean, responsáveis pela exploração e manutenção, fizeram com que essas empresas economizassem claramente tempo e dinheiro, aumentando os riscos. E assim, como ocorre em quase todas as situações em que existe capital x trabalho, o lucro se sobrepõe à segurança e saúde dos trabalhadores.

É importante avaliar o que ocorreu no acidente da BP de forma a extrairmos aqui lições e experiências úteis para os profissionais em SST no país. O Relatório final nos Estados Unidos resultou de uma Auditoria empreendida por profissionais que fizeram o seu trabalho com seriedade, independência e através de meses de investigação e embora tenha levantado a multicausalidade do acidente, mesmo assim responsabilizou as empresas pela maioria das falhas. Veja as Conclusões do Relatório abaixo.

·HISTÓRICO

·O maior acidente de trabalho e ambiental da história ocorreu no Golfo do Mexico, com uma plataforma da British Petroleum. O acidente da BP e um outro acidente com uma Plataforma da Petrobrás foram abordados em 2 posts do blog NRFACIL:

Veja os posts publicados no Blog (abaixo um pequeno resumo da inserção). Você pode ler o post completo acessando o link logo abaixo do título – no final leia as conclusões do Relatório:

vazamentobp2ALARME ESTAVA DESLIGADO NO ACIDENTE DA BP
http://nrfacil.com.br/blog/?p=2049

Um trabalhador chefe da equipe técnica do equipamento afirmou que o alarme de segurança estava geralmente configurado para “travado” para evitar que a tripulação da plataforma fosse despertada durante a madrugada com sirenes e luzes de emergência. Eles não queriam que o pessoal acordasse as 3 da manhã por causa de falsos alarmes. Assim, o alarme não soou durante a emergencia, deixando que os trabalhadores recebessem informações apenas através do sistema de alto falantes.

Um mês antes do acidente uma auditoria da “cultura de segurança” da plataforma de uma seguradora encontrou alguns trabalhadores apavorados sobre práticas de segurança e assustados com represálias se eles registrassem os erros.

O outro Post foi sobre a Plataforma da Petrobrás – veja o resumo abaixo ou acesse o link para o texto completo:

1044663(NRs 03, 10 e 30) RISCOS, ACIDENTES E INTERDIÇÃO EM PLATAFORMAS: O CASO DA PETROBRÁS
http://nrfacil.com.br/blog/?p=2720

ACIDENTES NA PETROBRÁS

No último dia 10 de fevereiro, Fiscais do Ministério do Trabalho interditaram a plataforma Cherne-2, da Petrobras, situada na bacia de Campos. Eles encontraram diversas irregularidades na unidade, que já havia parado no mês passado, após um incêndio sem vítimas.

Entre os problemas encontrados pelo fiscais para utilizar a NR-03, foram constatados: precariedade do sistema de combate a incêndio, falta de iluminação de emergência, insuficiência do ar condicionado, falta de inspeções nos separadores atingidos pelo incêndio e falta de barreiras de contenção nas áreas do incêndio.

ANTECEDENTES

No dia 19 de janeiro, um incêndio na plataforma danificou parte dos seus equipamentos e provocou uma suspensão da produção, de 9,3 mil barris diários de petróleo. Após vistoria, a Marinha autorizou, dias depois, o retorno das atividades.

No ano passado, a P-33, que também opera na bacia de Campos, também havia tido as operações suspensas por falta de condições de segurança para os trabalhadores.

Em julho, uma explosão sem feridos na P-33, na Bacia de Campos, levou o Sindipetro NF a denunciar “más condições de trabalho”. A Superintendência Regional do Trabalho fez uma inspeção e interditou filtros das unidades de compressão de gás da plataforma. Em agosto, foi a vez de Marinha e ANP inspecionarem a P-33, a pedido da Delegacia Regional do Trabalho. Na ocasião, O GLOBO teve acesso a fotografias revelando o mau estado de conservação dos equipamentos. A inspeção registrou 11 situações de risco na P-33 e cinco autos de infração contra a estatal. Segundo o sindicato, as condições na P-31 e na P-35 também seriam precárias.

REAÇÃO DO SINDICATO

Segundo nota divulgada pelo Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense, os funcionários dizem que a P-33, que está operando há 11 anos, encontra-se em “estado precário, tanto na área de segurança do trabalho, quanto na higiene dos locais de trabalho e descanso”. Ainda de acordo com nota do sindicato, a P-33 está “avançando para o risco de um acidente fatal”.

O sindicato afirma que um grande vazamento de gás atingiu a plataforma em maio deste ano. Em julho, houve uma explosão que não deixou feridos. Diante das denúncias dos funcionários, a Superintendência Regional do Trabalho do Rio de Janeiro fez uma vistoria na plataforma e constatou o risco de vazamento em filtros de óleo, que, segundo os fiscais, não têm válvulas de segurança.

Os fiscais do Trabalho decidiram, então, interditar alguns equipamentos da plataforma. No entanto, a Petrobras, que diz atender às normas do Ministério do Trabalho, conseguiu uma liminar na 2ª Vara do Trabalho de Macaé, para suspender a interdição imposta pelos fiscais.

REAÇÃO DA PETROBRÁS

A empresa ressaltou que todos os equipamentos fundamentais que garantem a segurança “das pessoas e da operação” em Cherne 2 estão de acordo com as exigências normativas da NR-10, norma que disciplina o setor, assim como todos os treinamentos previstos e os equipamentos de proteção coletiva estão atendidos.

Por estas razões, no entendimento da Petrobras, nenhum dos pontos levantados pelo Sindicato e pela SRT/RJ representa risco que justifique a interrupção da operação da plataforma. Eles já faziam parte da relação de itens que serão verificados durante a parada de manutenção, que será realizada no final de fevereiro, segundo programação feita em novembro de 2010″, acrescenta a nota da empresa.


acidente-da-bp-golfo-do-mexico2

CONCLUSÕES DO RELATÓRIO DO ÓRGÃO DO MINISTÉRIO DO INTERIOR
SOBRE O ACIDENTE DA BP:

No Relatório final, o órgão federal de investigação, subordinado ao Ministério do Interior dos Estados Unidos, concluiu que múltiplas falhas causaram a explosão de Abril de 2010. Entre elas, a falha da tripulação em interromper as operações após encontrarem múltiplos riscos e alertas e que a BP não desenvolveu nenhuma avaliação formal de riscos relacionada a decisões operacionais críticas no dia que levou à explosão e, ainda, que a BP falhou em documenar, avaliar, aprovar e comunicar mudanças associadas ao pessoal e a operações na Plataforma. Enquanto as empresas responsáveis tinham um documento que apontava seus respectivos programas de segurança, não foi registrado um controle do poço e nem a tripulação foi treinada ou trabalhou de acordo com esse Manual.

O Relatório detalha que a explosão foi resultado de uma série de decisões que aumentou o risco e o número de operações que fallhou em considerar ou reduzir de forma efetiva os referidos riscos.

Os projetistas da BP estruturaram o poço em um local que criou riscos adicionais de influxo de hidrocarboneto. Mesmo sabendo disso, a empresa não providenciou uma cementação ou barreiras mecânicas adicionais no poço.

A tripulação não conseguiu interromper o trabalho após encontrarem múltiplos riscos e alertas.

Falhas da BP em avaliar de forma ampla os riscos associados a um número de decisões operacionais

Decisões de economizar custos e tempo sem considerar contingências e escassez. Falhas em documentar, avaliar, aprovar e comunicar mudanças associadas com pessoal e operações.

Falhas em suprir supervisão e dar conta de responsabilidades.

A Empresa, em comunicado, reconheceu os erros e suas responsabilidades, não somente quanto aos danos aos trabalhadores, mas, sobretudo, ao Meio Ambiente.

image001TRABALHO EM PLATAFORMAS

As condições de trabalho em uma plataforma envolvem graves riscos pela utilização de materiais inflamáveis. Parte desses materiais são queimados em grandes chamas e os restantes tem de ser separados do petróleo.

Outros riscos são oriundos do sulfito de hidrogénio, um gás muito tóxico e que está presente no petróleo que é retirado do poço.

Além disso, os trabalhadores têm de usar maquinaria pesada em condições muito difíceis, debaixo de tempestades e com a influência do vento. Qualquer erro nestas condições pode levar a ferimentos graves ou a acidentes fatais. Além disso, acidentes nessas plataformas podem desencadear prejuízos catastróficos e irreversíveis ao Meio Ambiente.

O trabalho em plataformas representa um paradigma do tipo de  trabalho em atividades industriais que vai se tornando cada vez mais comum neste início de Século, envolvendo variáveis particulares: complexidade (máquinas sob sistemas informatizados), continuidade (turno de 24 horas), coletividade (polivalência e intensificação do trabalho) e periculosidade (agentes de risco de difícil controle).


dan-hartshornVeja na Revista NRFACIL desta semana  uma tradução de artigo do site OHS on line, na Seção Hardware. O autor do artigo, Dan Hartshorn, é Mestre em Psicologia, especialista em comportamento de trabalhadores. Ele é Consultor em Redução de Perdas e aborda a Teoria da Multicausalidade do Acidente de Trabalho.  O autor autorizou a tradução e enviou gentilmente uma foto para publicação.


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